quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo decreto de radiodifusão prevê ficha limpa para ser dono de TV‏

 Entre as exigências para evitar o uso de “laranjas” nas licitações para concessões de rádio e TV, o governo federal incluiu a obrigação de que os donos das empresas de radiodifusão comprovem não ter o nome “sujo” e estar com a ficha limpa de processos criminais e cíveis.
O decreto 7670/12 foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 17 de janeiro e obriga os futuros sócios a apresentarem balanços mais detalhados, a partir de agora, além do parecer de dois auditores independentes sobre a capacidade técnica-financeira do projeto. Eles também deverão pagar, à vista, o valor da outorga da futura emissora.
A reportagem produzida pelo Congresso em Foco destaca que, ao mesmo tempo, o governo usou a nova norma para manter a interpretação segundo a qual deputados e senadores podem ser donos de televisões e rádios, inclusive aqueles que compõem a base aliada no Congresso.
Para participar de uma licitação de radiodifusão, os donos e diretores deverão mostrar certidão negativa de protesto dos cartórios nas cidades onde moraram ou exerceram atividades econômicas nos últimos cinco anos. Antes, a obrigação se restringia aos dirigentes. Sócios e diretores também deverão apresentar certidões negativas cíveis, criminais e eleitorais dos tribunais nas mesmas cidades. O decreto diz que, caso as ações não tenham terminado, deverá haver uma certidão de inteiro teor para comprovar esse fato, mas não fica claro se os donos das emissoras poderão participar enquanto não forem condenados. A assessoria do Ministério das Comunicações não esclareceu este ponto do decreto.
As medidas fazem parte de um conjunto anunciado pelo governo para evitar a ação de especuladores e laranjas nas disputas por concessões de rádio e televisão. No ano passado, o jornal Folha de São Paulo mostrou que “laranjas” eram usados como donos de rádios e TVs no Brasil. Para o especialista em concessões de radiodifusão e professor da Universidade de Brasília (UnB), Venício Lima, o decreto do governo é uma resposta a esses fatos conhecidos de muito tempo, mas até então nunca provados.
Venício elogia as medidas anunciadas, mas lembra que, sem fiscalização, elas não terão poder algum. Além disso, reclama do fato de o governo se preocupar apenas com aspectos técnicos, ignorando o tema político por trás das concessões, a falta de democratização dos meios de comunicação e a permanência de parlamentares no comando das emissoras.
Fonte: Andi – Agência de Notícias dos Direitos da Infância

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