quinta-feira, 29 de março de 2012

Porto de Miritituba causa ciumes em Santarenos.



Vanderley Wegner
Preocupado com a questão da instalação de um porto graneleiro no Distrito de Miritituba, em Itaituba, o gerente executivo do Sindicato Rural de Santarém, Vanderley Wegner declarou em entrevista exclusiva ao RG 15/O Impacto, que tanto o porto quanto a economia do município de Santarém sofrerão grandes impactos, após serem descartados do cenário de exportação de grãos para outros países. Há indícios de que a soja produzida no Mato Grosso virá diretamente para o futuro Porto de Miritituba, onde será embarcada em barcaças, para ser transportada para o Porto de Santana, no Amapá, de onde será exportada para outros países, como a China. Para Wegner, Santarém e o Pará perderão de todas as formas com a criação do novo corredor de exportação de grãos, entre Miritituba e o Porto de Santana. Veja a entrevista:

RG 15/O Impacto: Como está a questão da produção de grãos para a exportação, em Santarém?
Vanderley Wegner: Nesse contexto, Santarém produz apenas 4% do que é exportado pelo terminal graneleiro. O que passa realmente no terminal graneleiro de Santarém é soja oriunda do Mato Grosso. O Município fica em torno de 4% do volume exportado pelo terminal graneleiro da Cargill.
RG 15/O Impacto: A instalação de um porto graneleiro em Miritituba preocupa os produtores de Santarém?
Vanderley Wegner: Estamos temerosos e o Estado também deve ficar, porque teve um alto investimento no Porto de Miritituba por parte das três principais Trades do Brasil, que acabaram adquirindo terreno naquele Distrito com o pensamento que iriam efetivar a carga no Porto de Vila do Conde, em Belém. Muitas dessa Trades já adquiriram terrenos em Macapá, na área do Porto de Santana. Se isso for consolidado, a produção irá passar pelo Pará, mas será exportado por Macapá. Para nós aqui é uma notícia muito ruim, porque temos uma área portuária instalada e existindo terreno para ser ampliado, portanto, isso fica inviabilizado. Para nós aqui santarenos, essa notícia de Miritituba ser transformada em porto de abastecimento de barcaças se configura como ruim.
RG 15/O Impacto: O Porto de Santarém perderá o foco de corredor de exportação com a instalação da zona portuária em Miritituba?
Vanderley Wegner: A gente sabe que o Porto de Santarém não será mais o foco, mas principalmente Santana e timidamente a Vila do Conde, no Pará. A soja que virá do Mato Grosso será embarcada em barcaças no Porto de Miritituba. Em seguida irá para o Porto de Santana, no Amapá, de onde será exportada para outros países, como a China.
RG 15/O Impacto: Essa estratégia de exportação pelo Porto de Santana vai gerar desemprego em Santarém?
Vanderley Wegner: Essa estratégia de exportação de Miritituba para o Porto de Santana vai gerar emprego e renda apenas para Macapá. Vai deixar de gerar emprego e renda para a população de Santarém, que para muitos empresários é o local ideal para se instalar qualquer empresa, por termos aeroporto, porto e mão de obra qualificada e disponível para o trabalho. O que trava um pouco o desenvolvimento são as licenças ambientais que demoram substancialmente e que acabam dificultando a vinda de outras empresas não somente do setor agrícola, mas da pecuária, construção civil, dentro outras.
RG 15/O Impacto: O
Porto de Miritituba deve ganhar toda a estrutura portuária necessária para serem embarcados grãos de soja em barcaças?
Vanderley Wegner: Se o projeto para o Porto de Miritituba se configurar e não for convertido, vai ser montada toda a estrutura portuária, como um terminal para carregar barcaças, que é bem diferente de um navio que carrega entre 65 mil a 70 mil toneladas de grãos. Uma barcaça carrega bem menos volume.
RG 15/O Impacto: A população de Santarém corre o risco de ficar vendo somente as barcaças passarem na frente da cidade levando emprego e renda para Macapá?
Vanderley Wegner: Santarém pode ficar vendo somente as barcaças passar na frente da cidade e com a possibilidade de a Cargill ir também para Miritituba. Há informações extra-oficias de que a Cargill adquiriu uma área na zona portuária de Miritituba. Nesse caso, a empresa pode acabar desonerando o terminal graneleiro de Santarém, que deve ficar inviabilizado, deixando quase 200 famílias diretamente sem empregos.
RG 15/O Impacto: Qual a expectativa para área de plantio nesse ano em Santarém?
Vanderley Wegner: A expectativa para a área plantada de soja, arroz e feijão vai ficar em torno de 45 mil a 47 mil hectares. Há um leve crescimento da área plantada de soja chegando a 34 mil hectares. O arroz deu uma reduzida violenta pela falta de políticas públicas e mercado, a concorrência desleal também. O milho deu um crescimento pelo fortalecimento do preço do grão. Existe a promessa de produtores do Mato Grosso de produzir etanol através do milho.
RG 15/O Impacto: A questão da pecuária, como está sendo analisada pela Adepará?
Vanderley Wegner: A pecuária teve um aumento substancial de cabeças em virtude da Adepará ter passado Santarém de área de alto risco para médio risco. Existe a promessa do Ministério da Agricultura e da Adepará de que até o final deste ano, Santarém vai passar para área livre, se na sorologia não for encontrado infecção viral.
RG 15/O Impacto: Qual a quantidade de área disponível para o plantio no Município?
Vanderley Wegner: A agricultura pegando Santarém e Belterra, temos quase 2.8 milhões de hectares. Da área territorial desses dois municípios está sendo usado apenas 1.19% para o plantio de soja. A tendência do mundo, como a China que está comprando proteína para sua população, está gerando altas expectativas. A soja teve um crescimento tanto na valorização em dólar, como na desvalorização do real. Há um otimismo para a próxima colheita que está chegando.
Fonte: RG 15/O Impacto

Nenhum comentário:

Postar um comentário