domingo, 8 de abril de 2012

Belo Monte: Altamira recebe milhares de trabalhadores


Depois de mostrar o impacto de duas grandes obras em lugarejos de Rondônia, o JN no Ar seguiu para o Pará. Perto da usina de Belo Monte, a equipe encontrou contrastes. Por um lado, a alegria da conquista do emprego. Por outro, as dificuldades de uma cidade que recebeu milhares de trabalhadores. As obras da usina estão apenas no início. A cidade de Altamira terá que conviver com essa nova situação de chegada de trabalhadores por algum tempo.

Um jovem de 21 anos veste uniforme da usina de Belo Monte pela primeira vez. Está eufórico com o primeiro emprego. Já o maranhense, pai de cinco filhos, está há oito dias na cidade e ainda não conseguiu trabalho.


A usina de Belo Monte traz alegria e também muita preocupação para Altamira, no sudoeste do Pará. A equipe do JN no Ar chegou à cidade na noite desta quarta-feira (4) e foi direto para a rodoviária. Lá, encontraram, em redes, em um abrigo improvisado, alguns dos trabalhadores que chegam em busca de oportunidade, sem dinheiro nem para uma vaga de hotel.


'Eu vim atrás de trabalho. Está todo mundo falando que tem', diz um homem. De manhã cedo, a equipe voltou à rodoviária. Muitos trabalhadores já estavam de partida para a usina. Eles vêm de toda parte. Mas nem todos conseguiram trabalho. Muitos passam dias na praça à procura de serviço. Em um lado da rua, ficam os trabalhadores ainda desempregados.


A usina de Belo Monte está bem no início das obras. Atualmente, são nove mil trabalhadores. O pico será em 2013, quando serão 20 mil operários. Por isso, não para de chegar gente. Uma multidão ocupa a porta do principal ponto de contratação. Mas, pelas histórias que se ouve, a esperança parece maior do que o número de vagas. Um homem diz que está há meses esperando, mas só tinha vaga para uma função: motorista. Ao todo, 22 motoristas se apresentaram. Do lado de fora, João Jailson vai continuar a espera. 'Vou continuar, não tenho como voltar', afirma.


A direção do consórcio diz que a prioridade é para contratar trabalhadores locais. Uma forma de compensar os problemas que a usina traz para a cidade. Os aluguéis dispararam. Uma casa que custava R$ 500 por mês em março, agora é alugada por R$ 2,5 mil. Bom para os donos.


'Eles acham que todas as pessoas estão com dinheiro', afirma uma mulher. Há reclamação sobre o aumento da criminalidade. O farmacêutico Francisco Ricardo já foi assaltado nove vezes. Na última, foi baleado. 'Dá para perceber que são pessoas que nunca vimos', conta.


'Devido ao aumento da população, com certeza algumas pessoas vêm com intenções negativas, visando o aumento do tráfico', avalia Cristiano Marcel, superintendente da Polícia Civil.


Na única emergência pública da cidade, a superlotação é evidente. A acompanhante de uma paciente com suspeita de dengue diz que foi difícil conseguir atendimento.


'A cidade não tinha preparo nem para as pessoas que moravam aqui. Como vai ser com esse aumento populacional?', questiona a bióloga Elisane Unian. 'O movimento aumentou 80%', revela Arlinda de Sousa, diretora do hospital.


'O município não tem estrutura. Precisamos de ajuda do Governo Federal', acrescenta Carlos Bartoli, secretário de Planejamento de Altamira.


Muitos que moram em barracos estão contentes, porque vão receber casas novas. Essas pessoas moram em áreas sem esgoto e sem condição de vida. A cidade de Altamira e a usina de Belo Monte estão agora unidas para sempre e vão precisar se entender.


A prefeitura informou que vai pedir ao Exército a instalação de um hospital de campanha para aliviar o atendimento. Sobre a questão da criminalidade, a Secretaria de Segurança do Pará declarou que vai contratar mais policiais para todo o Estado.Fonte: G1

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