sexta-feira, 6 de julho de 2012

Índios Munduruku não assinam acordo com Funai e PM


Índios Munduruku não assinam acordo com Funai e PM  acordo para pôr fim às manifestações indígenas que estão acontecendo em Jacareacanga, sudoeste do Pará. Segundo a Polícia Militar, a expectativa para a reunião realizada na manhã de quinta-feira (5) entre os indígenas, a Superintendência Regional da Polícia Civil no Tapajós, e a Fundação Nacional dos Índios (Funai), era de que houvesse um consenso entre os Munduruku e os negociadores.


De acordo com o superintendente regional do Tapajós, delegado Edinaldo Silva de Souza, os Munduruku querem que a polícia entregue à eles os dois suspeitos de terem assassinado um índio no último dia 30 de junho. A exigência foi negada.

Para o comandante geral da Polícia Militar (PM), coronel Daniel Borges Mendes, a situação é de alto risco e grande complexidade. "O que dificulta ainda mais as negociações é o fato de que a compreensão do índio é diferente da nossa sobre o mesmo fato. Outro agravante é que há várias lideranças entre os próprios índios, que também não estão entrando em acordo", explica.

O antropólogo Antônio Maria Santos acredita que é preciso realizar uma perícia antropológica para descobrir qual o grau de aculturação dos índios e, só então, avaliar se eles podem ou não ser responsabilizados pelas ações em Jacareacanga.

"Que índios são esses? Que entendimento eles têm linguisticamente da situação. Esse grau de aculturação é fundamental numa perícia antropológica que precisa ser feita para que a suporta punição que possa acontecer seja feita de maneira adequada", acredita o pesquisador.

"Os fatos serão apurados caso a caso e aqueles que ficaram demostrado que realmente participaram de situação criminosa e que se adequam numa situação que a lei ampara como sendo amputáveis, esses serão serão responsabilizados criminalmente", explica Nílton Athaíde, delegado geral da Polícia Civil.

Os Munduruku estão impedindo que representantes da Funai e os policiais envolvidos na negociação saiam da cidade. Tropas de segurança da PM estão em Itaituba, município a 400km Jacareacanga, mas o coronel Mendes afirma que eles só serão deslocados para a área de conflito em uma situação extrema. "Os índios têm o costume de fazer negociadores como refém, então este comportamento já era esperado por nós. Queremos esgotar todas as possibilidades de negociação antes de enviar as tropas para Jacareacanga, para evitar qualquer tipo de confronto desnecessário", afirma.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) informou que mais um efetivo de policiais militares foi enviado para Itaituba na manhã desta quinta-feira (5), para reforçar o trabalho dos órgãos de segurança. O secretário da Segup embarca na manhã desta sexta-feira (06) ao município para negociar pessoalmente com os indígenas. Essa era uma das exigências dos Munduruku.

Fonte: G1

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