quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Denúncia de trabalho escravo em Novo Progresso

Valdo: “Foram mais de dois dias de ‘varação’ pra fugir do trabalho escravo”
  A denúncia foi feita por três trabalhadores que conseguiram fugir de uma área de desmate, onde estavam sendo mantidos forçados.
Segundo o coronel Josafá Borges, comandante de Policiamento Regional da PM (10º CPR), a denúncia foi recebida por um grupo de policiais que desenvolvia uma operação de rotina às proximidades do distrito de Moraes de Almeida, na divisa dos municípios de Itaituba e Novo Progresso, Oeste do Estado. De acordo com a denúncia, pelo menos trinta trabalhadores estariam sendo forçados a trabalhar em condições sub-humanas em uma derrubada de centenas de hectares, sob as ordens de um homem identificado apenas pelo pré-nome Geovane, que seria dono de um hotel em Novo Progresso.
Os trabalhadores foram trazidos pelo homem de camisa vermelha das cidades de Santana do Araguaia e Anapú, Sul do Estado, sob a promessa de receberem salários na média de R$ 660 mensais pelo trabalho. Mas, no local, foram forçados a dormir embaixo de árvores, além de pagar pelo alimento, combustível usados pelas motosseras e até peças que eventualmente quebravam. Três trabalhadores conseguiram fugir pelo meio da selva e, por sorte, encontraram os policiais e pediram ajuda.
“Em depoimento preliminar, logo depois de apresentarem a denúncia, os homens relataram que, na fazenda, as ordens eram para fazer uma derrubada completa, incluindo madeiras nobres e até castanheiras, o que configura crime ambiental”, apontou o coronel Josafá Borges. Além disso, eles foram orientados a fugir a qualquer sinal da presença da polícia. O homem de camisa vermelha, acusado de contratar os trabalhadores, assumiu que era responsável pelo trabalho. Com base nos relatos dos trabalhadores, a polícia efetuou a prisão dele. Erenilton Lima da Silva, de 40 anos, assumiu a culpa, mas disse que também era forçado a cumprir a função de “Gato”, que, na gíria policial, significa a pessoa responsável por contratar trabalhadores escravos, sob promessas mirabolantes.
Erenilton admitiu ter contratado os trabalhadores
Os trabalhadores Valdo Luis Ribeiro, 45, Daniel Macedo dos Santos, 27, e João Rodrigues de Farias, de 36 anos, vão ser convocados como vítimas e testemunhas, para uma operação de resgate do restante dos trabalhadores que ainda permanecem no local, onde a suspeita de trabalho escravo é cada vez mais forte.
Os policiais militares que foram procurados pelos trabalhadores fizeram fotos e vídeos para reforçar a denúncia. O caso já foi comunicado ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça do Trabalho, à Justiça Federal e à Polícia Federal e também será encaminhado à Comissão dos Direitos Humanos do Estado (CDH)
portaltapajoara

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