domingo, 5 de agosto de 2012

FLONA JAMANXIN-Medida é para combater a grilagem


governo federal avalia o problema da Floresta Nacional (Flona) de Jamanxim, no Estado do Pará, de forma cautelosa. Há bilhões de reais em indenizações a serem pagas a esses moradores. A reivindicação por terras no interior dessas áreas de proteção que implica em redução das unidades de conservação pode chegar a um milhão de hectares apenas no sul do Pará, segundo estimativas preliminares. "Há situações a serem corrigidas", diz a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "Mas é preciso separar o joio do trigo, para ver quem tem direito à posse da terra e quem a ocupou ilegalmente, para especular e desmatar. Há muito interesse de grilagem na região."

Os ambientalistas atacam a pretensão do governo com números. Só em maio deste ano, segundo dados mais recentes de desmatamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Jamanxim perdeu um quilômetro quadrado de floresta - a segunda maior taxa de desmatamento detectada em unidades de conservação no mês. No final do governo Luiz Inácio Lula da Silva, houve duas Operações "Boi Pirata" dentro da Flona, na tentativa de conter o desmatamento ilegal na unidade. Nessas operações, os animais eram apreendidos pelo governo e depois leiloados.

"A gente avalia essa redução como extremamente negativa para o Sistema de Unidade de Preservação. Coloca em risco o sistema, em um momento em que você está dando uma mensagem positiva para aqueles que se aventuram dentro de áreas protegidas. Já havia pessoas dentro dessas áreas antes da delimitação da área de preservação. Tem um relatório de 2009 do ICMbio, avaliando essa diminuição da Flona Jamanxim, e esse relatório é muito claro ao caracterizar o tipo de propriedade que existe lá dentro: são latifúndios. Latifúndios de pessoas que não moram dentro da Flona. E essas propriedades não são lucrativas, não há o desenvolvimento de atividades econômicas. O que existe é um padrão de grilagem de terra pública, que é perpetuado ao longo dos anos. Você abre uma área, explora toda a madeira que tem lá, faz dinheiro com isso, depois coloca um pasto, coloca os boizinhos para dizer que você está contribuindo com a economia nacional. Então, esse tipo de padrão é bem caracterizado no relatório de 2009", critica a pesquisadora do Imazon, Elis Araújo.O Liberal/BRASÍLIA/THIAGO VILARINS e RAFAEL QUERRER

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