terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mais de 63% dos eleitores do Pará têm baixo nível escolar

Nas eleições de 2012, o futuro político dos municípios paraenses está nas mãos dos eleitores de menor escolaridade. De acordo com as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualmente 63,37% dos eleitores aptos a votar em outubro não terminaram sequer o ensino fundamental. Destes, o número de pessoas que declararam ser analfabetas ou que sabem apenas ler e escrever ultrapassa a casa do 1,3 milhão. Uma realidade que não se reflete no perfil dos candidatos que estão disputando o voto neste pleito. Os números mostram que a prevalência – tanto nas eleições majoritárias, quanto nas proporcionais – é de candidatos que possuem pelo menos o ensino médio completo.

A condição de baixa escolaridade do eleitorado paraense supera em muito a média brasileira, que é de 18,9% dos poucos mais de 140 milhões de eleitores que se declararam analfabetos ou que sabem apenas ler e escrever. No Pará, a faixa de cidadãos que estão nesta situação alcança quase 26% do eleitorado.
Já o número de eleitores no Pará que já concluíram ou pelo menos iniciaram uma graduação de nível superior, somados, representam 3,4% do eleitorado. Eles estão abrigados, sobretudo, na capital, que sozinha concentra 51,1 mil votantes com diploma.
‘Do ponto de vista da história, este é um eleitorado bastante suscetível às promessas dos candidatos, muito mais do que à trajetória de vida (politica e profissional) dos mesmos. Como se sabe, ou pelo menos se supõe, a fragilidade secular do quadro partidário brasileiro impele o voto na pessoa do candidato e não na sigla partidária, como ocorre e deve ocorrer nas democracias avançadas e consolidadas. Daí que ainda não se deve esperar nas eleições que se aproximam votos muito qualitativos’, avalia o cientista político, historiador e pesquisador José Carneiro.
Ele argumenta, no entanto, que o nível de instrução dos eleitores não é uma sentença definitiva.
‘Tem-se como pressuposto que o nível educacional da população, na medida em que aumenta, melhora o processo eleitoral. Em tese isso pode até funcionar, mas não é demais lembrar que recentemente tivemos um doutor na presidência da República, em dois mandatos, seguido de um operário com igual tempo de mandato e ambos fizeram governos bem distantes do agrado da média populacional. Isso é apenas uma referência para mostrar que em politica os pressupostos podem mudar ao sabor dos acontecimentos’, afirmou.
Na avaliação dele, a escolha do eleitor está muito mais ligada ao poder de persuasão dos candidatos durante a campanha eleitoral. ‘Parece que a propaganda eleitoral em si – e não me refiro à televisiva – com as marquetagens de sempre, preponderam sobre o eleitorado. É claro que a difusão dos meios de comunicação interfere diretamente na mudança desse quadro, produzindo mudanças no perfil do eleitorado’, afirmou o especialista.
A baixa escolaridade do eleitorado paraense é uma realidade que vem de muitos anos. No entanto, os números da Justiça Eleitoral mostram que esta situação já foi pior. A parcela do eleitorado que tem até o ensino fundamental completo caiu 4,8% nos últimos quatro anos, enquanto que a participação de eleitores que já ingressaram em uma universidade teve uma evolução de 0,7% no mesmo período. O número de eleitores, de uma forma geral, cresceu 5,33% no comparativo com 2008, passando de 4.515,590 para 5.100. 797 eleitores.
Atualmente, o eleitorado paraense é formado, sobretudo pelos eleitores com ensino fundamental incompleto, que totalizam 1,9 milhão de votantes (37,3 %); os que leem e escrevem, que somados chegam 932,6 mil (18,2%); os de ensino médio incompleto, com 854,3 mil pessoas (16,7%); os de ensino médio completo, com 523,1 mil (10,2%); os analfabetos, com 392,7 mil (7,6%); os de ensino fundamental completo, que totalizam 308,8 mil pessoas (6%); os 100,2 mil eleitores que possuem nível superior completo (1,9%); e por fim os 77,9 mil cidadãos que não completaram a graduação superior (1,5%). Deixaram de informar 3,8 mil eleitores.
Fonte: O Liberal

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