BNDES aprova financiamento recorde de R$ 22,5 bilhões para Belo Monte



O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento de R$ 22,5 bilhões para a Norte Energia S.A. para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

Parte do crédito será repassada pela Caixa Econômica Federal (R$ 7 bilhões) e pelo banco de investimentos BTG Pactual (R$ 2 bilhões). O restante será exclusivamente do BNDES, com recursos públicos.

É o maior financiamento do BNDES a um projeto no país, e a construção da usina é a maior obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

De acordo com a direção do banco, a cada liberação de recursos deverá ser comprovada a regularidade ambiental do projeto. Os investimentos na usina totalizam R$ 28,9 bilhões e criarão 18,7 mil empregos diretos e 23 mil indiretos.


A usina de Belo Monte

Com capacidade instalada de 11.233 megawatts, a usina hidrelétrica de Belo Monte será a terceira maior do mundo, atrás da chinesa Três Gargantas, com 22,5 mil MW, e da binacional Itaipu, com 14 mil MW.

A primeira unidade geradora da hidrelétrica deverá entrar em operação comercial em fevereiro de 2015. Diferentemente de outras usinas de grande porte, Belo Monte operará a “fio d’água”, ou seja, sem reservatório de acumulação.

A Norte Energia venceu, em abril de 2010, o leilão de geração promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para a construção, operação e manutenção da usina de Belo Monte. A operação e manutenção do empreendimento será realizada pela Eletronorte.

Outros empréstimos

Não é a primeira vez que o BNDES concede financiamento à Norte Energia. Em 2011, foi concedido R$ 1,1 bilhão como empréstimo-ponte (de curto prazo). O segundo empréstimo-ponte foi concedido em março deste ano, no valor de R$ 1,8 bilhão, com recursos da Caixa (R$ 1,5 bilhão) e do banco ABC (R$ 300 milhões).

Outro financiamento, de R$ 3,2 bilhões, será destinado a investimentos socioambientais do projeto na região de Altamira (PA) para mitigação e compensação de impactos socioambientais.

Um comentário:

  1. Belo Monte: farra com dinheiro público para as empreiteiras, demissão e cárcere aos trabalhadores que lutam, isto é uma afronta à dignidade!

    Em todos os noticiários da imprensa brasileira é possível ler a “grande” notícia que diz: “BNDES libera 22,5 bilhões em financiamento para construção de Belo Monte”. Pois bem, esse fato ocorre no mesmo período em que cinco operários, a mando do CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte), encontram-se presos e essas mesmas empreiteiras, arbitrariamente, implementam uma demissão em massa que ninguém sabe, e parece não se importar, quantas centenas ou milhares de trabalhadores estão sendo afetados.

    Em meio a força dessas manchetes sobre os bilhões de empréstimo não há como não indignar-se. De um lado, pela natureza do tema em si, ou seja estamos falando de dinheiro público liberado para a inciativa privada, com total despreso do Governo Dilma para com as causas dos mais pobres, dos ribeirinhos, dos pescadores, dos povos nativos e dos trabalhadores da obra. Somente na região norte existem 2,65 milhões de pessoas em situação de miséria. Do outro lado, há o fato de que isso ocorre em meio a um conflito trabalhista de extrema gravidade, fruto da arrogância e intransigência do CCBM. Afinal, quem vai intervir contra essa demissão em massa? Como vai ficar a situação dos trabalhadores presos? Ou isso não importa?

    Há um clima geral de cidade privatizada e militarizada em Altamira (PA). Pelas ruas da cidade, e entorno das obras, observa-se a presença ostensiva de inúmeros veículos conduzindo homens armados, seja da segurança pública ou privada. Após o conflito, agora fala-se pelas rodas de trabalhadores, que até um destacamento do Exército será fixado no canteiro da obra. Enquanto isso, o CCBM compra carros para bombeiros, auxilia a polícia e a Norte Energia patrocina um encontro nacional de magistrados que realizou-se recentemente em Belém. Para onde vamos?

    Os canteiros estão sendo ainda mais militarizados e o pagamento dos milhares de operários continua sendo feito sob a mira de fuzis, apontados do helicóptero militar contra a multidão que se espreme por horas até passar pelo batalhão de choque e conseguir pegar seu envelope. Além de tudo isso, esses operários seguem obrigados a descontar compulsória e mensalmente para um sindicato que não os defende. E onde está o Ministério Público do Trabalho? Cadê os governos federal e estadual?

    Para os operários de Belo Monte, prisões e demissão em massa. Para as empreiteiras do CCBM, mais R$ 22,5 bilhões do dinheiro público foram liberados. Não é possível que tudo isso seja encarado como “normal”. Não podemos perder a capacidade de indignação e, acima de tudo, de assumir opiniões e buscar o engajamento na luta contra as injustiças sociais.

    Sonhos de vidas nativas estão sendo ceifados, as esperanças no progresso da “Princesinha do Xingú”, nome carinhoso pelo qual tratam sua cidade os originários de Altamira, estão sendo afrontadas e a dignidade de milhares de operários está sendo agredida e ignorada em nome de um desenvolvimento que retroage aos fósseis das práticas do regime militar.

    Lutemos contra!

    Liberdade imediata aos operários e companheiros presos em Belo Monte!

    Dilma, pare as demissões!


    Atnágoras Lopes
    Tel 55 11 98830 0448

    Claudia Costa
    Tel.: 55 11 3082 5205

    ResponderExcluir