sábado, 16 de fevereiro de 2013

Tráfico humano em Altamira.


O começo do fim de um sofrimento, a fuga desta menor revelou o tráfico humano em  uma boate no Ramal do KM 27. no local acompanhamos o caso com o conselho tutelar de Altamira que recebeu as primeiras informações repassadas por uma menor, em que mulheres estariam trabalhando forçadas por capatas, uma operação foi mantada para ir ao local.

Um lugar de acesso complicado pois são muitos ramais e entradas que as vezes levam a lugar nenhum,  terrenos distantes de tudo e excelente para esconder seres humanos, e isola-los da cidade, como gostam os rufiões, que agenciam garotas. Depois de uma hora de viagem encontramos duas Boates em pleno funcionamento, no estabelecimento encontramos 11 mulheres trabalhando, o delegado faz vistoria nos quartos e confirma as suspeitas de trabalho forçado.
Em cada compartimento da Boate, condições sub humanas de trabalho e moradia, as mulheres são obrigadas a usar roupas provocantes, pagam por perfumes, bebida, vestimentas e aluguel de quartos, tudo a preços bem acima dos de mercado, uma forma que os donos do local encontraram para mantê-las sob controle e vigilância o tempo todo. Em um dos quartas essa mulher da cidade de Joaçaba em Santa Catarina, desabafa para nossa equipe.
"As chaves não ficam com a gente, a porta só tranca por fora, eu vim de Joaçaba pensando em ganhar muito dinheiro, mas aqui a gente só é humilhada, toda noite" Diz uma das vítimas.
A polícia revistou todos no local, conversou com as mulheres, verificou documentação e apenas para a polícia, todas revelaram o problema que vivem, porém dizem que tem medo de acontecer algo com familiares em Santa Catarina, já que os agenciadores deixam sempre esse recado. A policia procurou pelo dono da Boate, o homem conhecido como Adão e a esposa dele, os dois fugiram do local antes da chegada da polícia. Adriano Cansan de 38 anos conhecido como Alemão, e Carlos Fabrício Pinheiro de 33 anos conhecido como Russo, foram presos em flagrante. A menor que conseguiu fugir diz que foi perseguida por este último, porém russo nega a acusação.
"Eu não corri atras dela, eu nem conheço ela direito, a gente só trabalha lá" Diz Carlos Fabrício Pinheiro, acusado de rufianismo.
Toda a região das duas boates foi revistada, mas os donos da casa de shows fugiram para a mata, das 11 mulheres que encontramos nas boates, a maioria são das cidades catarinenses de Caçador, Passo Fundo e Joaçaba, das 11, apenas 4 mulheres resolveram deixar o local, elas foram acompanhadas por conselheiros tutelares de Altamira, o gente da boate e o homem que servia de capataz seguiram na viatura da polícia civil, todos foram encaminhados para a superintendência regional do Xingu.
Diante da polícia e da proteção de agentes sociais as mulheres passaram a relatar os horrores vividos na boate. O gerente da casa se contra diz várias vezes durante a entrevista, e responde sobre o quarto que só tranca por fora, ele nega.
"Adriano Cansans: Não! eu nem sei como são os quartos, eles são normais, o pessoal entra e sai a hora que quer.... FELYPE ADMS: Você acha que é correto trancar as portas apenas por fora? Não, mas a gente ajeita depois... FELYPE ADMS: Mas estava com travas apenas por fora!" responde Adriano Cansan, acusado de rufianismo.

Segundo o próprio gerente, a renda por noite pode chegar a 3 mil reais, lucro que é dividido com as mulheres, porém em valores que deixam as meninas, na desvantagem.
Para o delegado que presidiu a operação, os envolvidos devem responder na justiça por vários crimes entre eles tráfico humano. Os cadernos com anotações, detalhes dos lucros das meninas também foram apreendidas, em apenas algumas horas de trabalho, elas já haviam dado um lucro de 700 reais para a boate, o dinheiro também foi recolhido. 
A polícia civil vai pedir a prisão preventiva dos donos do estabelecimento, em Altamira a igreja católica vai acionar a secretária estadual de direitos humanos, o a polícia civil de Altamira deve encaminhar as denuncias apuradas para as autoridades em Brasília a boate deve ser fechada.
Por: Felype Adms.
Imagens: Carlos Calaça.

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