Porto em Itaituba vai salvar exportações do Brasil

Futuro porto de Miritituba
Futuro porto de MirititubaO pequeno distrito de Miritituba, em Itaituba, Oeste do Pará, saiu da pacata situação de anonimato para tornar-se alvo da atenção dos principais investidores nacionais e internacionais. O local pode se transformar num dos maiores portos de escoamento de grãos do país. Sua localização estratégica, às margens do rio Tapajós, a 300 quilômetros ao sul de Santarém e com acesso curto e rápido para a BR-163 (Santarém / Cuiabá), pode ser – literalmente – a “salvação da lavoura”, garantindo o rápido escoamento da safra nacional.

Ironicamente, o fato responsável pela ascensão de Miritituba foi a crise portuária que afetou, principalmente, os produtores de soja do Mato Grosso. Na semana passada a empresa Sunrise, gigante exportadora da China, anunciou o cancelamento da compra de pelo menos dois milhões de toneladas de soja do Brasil, alegando atrasos na entrega por causa das longas filas nos portos. Foi o primeiro grande contrato suspenso por causa de problemas logísticos.
A Sunrise disse que deveria ter recebido seis navios em fevereiro e outros seis em março. Principal comprador da soja brasileira, a China informou que vai comprar o grão da Argentina.
O apagão logístico atingiu os principais canais de escoamento da soja do país, os portos de Paranaguá e Santos, sendo este último, o maior da América Latina. O engarrafamento de caminhões nesses portos chegou a atingir 34 quilômetros. A situação de congestionamento promete ficar pior nos próximos meses. Com a estimativa de safra recorde de grãos – o pico da comercialização da soja é agora em abril e maio, quando começa também a ser escoada a safra de açúcar, seguida do milho e algodão – os congestionamentos de caminhões para descarregamento tendem a ser inevitáveis.
Por tudo isso, a melhoria de acesso ao Porto de Miritituba tomou conta dos noticiários e está mudando a rotina do pequeno distrito. Empresas gigantes da área de importação e exportação de produtos, como as americanas Bunge e Cargill, já estão preparando a construção de terminais de carga na pequena Miritituba. Empresas especializadas em operações logísticas em importações e exportações de produtos como Hidrovias do Brasil, Cianport, Unirios e Terfron também já adquiriram terrenos para a construção de suas instalações.
Mas isso depende da pavimentação da rodovia BR – 163, que ligará Mato Grosso do Sul com Miritituba, agilizando o embarque e transporte dos grãos. Isso irá reduzir em 700 quilômetros o trajeto atual da carga exportada pelo porto de Santos.
O diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Jorge Fraxe, afirmou, na semana passada, que o governo vai concluir a obra em seis meses. A partir de maio, o órgão promete retomar as obras de pavimentação e revestimento da rodovia. O primeiro trecho a ser retomado, de 1,1 quilômetros de extensão, será o da divisa com o Estado do Mato Grosso e Santarém. São cerca de 560 quilômetros de estradas de terra à espera do asfalto.
Ao longo do trajeto, algumas pontes ainda precisam ser instaladas. Em muitos trechos, há problemas graves de erosão e presença de minas d’água, situação que exigirá intervenções pesadas de drenagem. Na região Norte, apenas para lembrar, o trabalho só pode ser feito durante seis meses por ano, por causa do período de chuvas.
O diretor do Dnit informou ainda que será investido R$ 1,2 bilhão na obra. De acordo com o general Jorge Fraxe, a obra da rodovia é uma das prioridades do Departamento. “Vamos fazer um RCD (Regime de Contratação Diferenciada) e fazer o possível para entregar em 2014. Este é um empreendimento que quero ir de Cuiabá até o porto de Santarém ainda no primeiro semestre de 2014”, disse Fraxe.
O general disse que a obra será executada mesmo no pe ríodo chuvoso. “O Dnit irá utilizar técnica de túneis móveis, espécie de coberturas que mantém as condições para a realização das obras e já está em plena execução em outros empreendimentos, inclusive na região amazônica”, explicou.
MIRITITUBA: Porto no rio tapajós é estratégico para receber a produção de grãos do Centro Oeste, transportar em barcaças até o porto de Santarém, de onde a carga segue em grandes navios.

Fonte: Diário do Pará

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