'Depressivo', atirador diz se tratar há 10 anos com médico

'Depressivo', atirador diz se tratar há 10 anos com médico O paciente Elionaldo dos Santos, de 37 anos, que atirou no médico neuropsiquiatra Edson Ferreira Filho, na manhã desta quinta-feira (9), dentro do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, oeste do Pará, alegou que sofre de depressão e fazia tratamento com o médico há 10 anos, tendo gasto muito dinheiro, mas nunca melhorou.

“Há 10 anos que estou contando com ele. Ele disse que em cinco meses eu ficaria bom. Com 10 anos eu não fiquei bom, fiquei com raiva e fiz isso”, justifica o atirador.


Ele também contou que já tinha planejado assassinar o médico. Ele entrou para ser atendido e era o próximo da fila. Quando uma paciente saiu da sala, ele sacou a arma e atirou.

A arma utilizada foi um revolver calibre 38, que teria sido roubada no município de Rurópolis, oeste do Pará, com o qual Elionaldo deu seis tiros, dos quais quatro acertaram o médico.

Momento em que o atirador é levado pelo Grupo Tático Operacional. (Foto: Reprodução/TV Tapajós)


Ele foi apresentado na delegacia Seccional de Polícia Civil de Santarém. Pelo fato de fazer tratamento psiquiátrico, a Justiça é que iria decidir se ele seria encaminhado ao presídio ou ter outro destino. Mas, na tarde desta quinta-feira, o superintendente de Polícia Civil do Baixo Amazonas, Gilberto Aguiar, informou que o atirador será encaminhado à Penitenciária Agrícola Silvio Hall de Moura e será enquadrado por tentativa de homicídio qualificado.

Estado de saúde do médico
O médico neuropsiquiatra Edson Ferreira Filho levou quatro tiros na região próxima ao peito e foi atendido no próprio hospital. Segundo o médico que o atendeu, dois tiros acertaram o tórax, um acertou o ombro esquerdo, e um acertou o punho direito.
Médico sendo atendido pelos colegas no hospital. (Foto: Reprodução/TV Tapajós)


Os médicos avaliam os riscos de complicações, mas a vítima deve ser submetida a uma cirurgia para a retirada das balas na tarde desta quinta-feira.

Atendimentos
Quem estava esperando atendimento nesta quinta-feira no Hospital Regional do Baixo Amazonas deverá retornar em outra data a ser remarcada. O hospital fechou para atendimentos pelo resto do dia. Estão paralisados os procedimentos eletivos, clínica, ambulatório e laboratório. Estão funcionando apenas os serviços de hemodiálise e centro cirúrgico.

No momento dos tiros, houve muita confusão e correria. "Entrou uma senhora com uma criança, depois de uns três minutos, o cara [atirador] entrou, empurrou a porta e atirou. Eu sai correndo, tropecei nos outros, cai, andei engatinhando até que eu me levantei, entramos num consultório, fecharam. Corremos e entramos noutro, tinham umas 20 pessoas nesse, engatou bolsa, camisa na tranca da porta. Foi um sufoco", relatou uma paciente que testemunhou os tiros.

"A gente estava próximos da sala. Só vi quando a moça do hospital gritou. Eu não sou daqui. A gente vai voltar sem fazer o exame. Eu nunca passei por um susto desses. A gente ficou tremendo. A gente nunca viu isso. Cidade pequena nunca aconteceu isso", contou outra paciente.

"Fui ao banheiro, quando sai com o meu filho, ouvimos o barulho de tiro e todo mundo correu, ninguém sabia de nada. Depois foi que o Tático chegou foi que foram ver o doutor Edson no chão. A gente se abala com um negócio desses. Desde os oito anos de idade que ele consulta o meu filho", afirma uma paciente.

"Estava marcados os meus exames. Agora, parou tudo. Até meus documentos ficaram trancados. Acho que isso aqui tinha que ter uma segurança. Do jeito que eu entrei com sacola, tinham que revistar as pessoas. Por isso que acontece uma coisa dessas", ressalta um homem que aguardava atendimento.

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