Lúcio Flávio Pinto: Começa a campanha eleitoral 2014

Repórter:  
A mobilização para a eleição de 2014 já começou, mas não espere o eleitor qualquer novidade da parte dos principais políticos, sobretudo dos que estarão à frente das disputas majoritárias, para o governo do Estado e o Senado. Haverá a repetição dos métodos de sempre, usados para convencer, iludir ou manipular o eleitor. A disputa principal continuará a ser dual: de um lado o partido que está no poder, o PSDB. Do outro, uma mal organizada oposição, sem maior identidade. Um verdadeiro saco de gatos.

A máquina situacionista depende da saúde do governador Simão Jatene. Se estiver em condições, ele se apresentará para a reeleição. Mas se lhe faltarem as condições físicas, qualquer que venha a ser o seu substituto, uma coisa é certa: sem a máquina, suas possibilidades de vitória serão menores.
Baseados nessa constatação pragmática, os tucanos já tratam de vincular obras públicas e arrecadação do erário ao fundo de campanha. Sem um verdadeiro plano de governo, o PSDB manterá as diretrizes do passado: gente de confiança na boca do caixa, sugerindo a partilha do dinheiro que entra, e obras e serviços que permitam essa gestão compartilhada entre o Estado e o partido. Ajusta-se como luva a essa estratégia a construção de hospitais, que tem sido a marca de Jatene.
helderA oposição também sabe disso. Ainda que não se apresente como seu líder, o senador Jader Barbalho age como se o fosse. Mas de forma suficientemente ambígua para poder trocar de lugar conforme o movimento da gangorra do poder. No momento, ele se lastreia em aliança com o PT. Nada o impediria, entretanto, de bandear-se de volta para o PSDB, a não ser que condições oferecidas pelo comando do PT nacional fossem suficientes para dar-lhe segurança no uso de outra máquina, marginal ao poder estadual.
Como o nordeste paraense e a região das ilhas são redutos remanescentes do seu curral eleitoral, Jader está se fortalecendo no sul do Estado, a partir de Marabá. Passou a contar com o mais importante jornal que circula nessa região, o Correio do Tocantins, e com velhas e novas alianças e arranjos de interesse. Seu filho e herdeiro político, Hélder Barbalho, há um mês usa a emissora de rádio da família como um eficiente palanque não declarado. Em uma hora de programa diário, ele circula por todos os municípios, estabelecendo proveitosos diálogos, que já atraíram ouvintes. É um método eficiente de comunicação, além de contornar as limitações da legislação eleitoral. Além disso, Hélder ainda conta com a tribuna da Famep, a federação das associações municipais.
Nada assegura, ao menos ainda, que ele já esteja escolhido para ser o cabeça de chapa do PMDB. Mesmo porque, na aliança com o PT, o partido de Jader Barbalho tenha tendência de ser instrumento auxiliar da agremiação da presidente da república. Helder podia surgir como candidato a vice-governador, o que pode ser pouco, a depender de quem venha a ser o candidato petista ao governo. O mais referido é o ex-deputado Paulo Rocha, ressurgido das cinzas do mensalão.
Caso Hélder seja candidato à única vaga para o Senado que estará em disputa, ele oferecerá duas compensações ao pai pelo insucesso na prefeitura de Ananindeua, o segundo maior colégio eleitoral do Estado: impedir a volta do arqui-inimigo Mário Couto e criar uma dobradinha inédita no Senado, com pai e filho ocupando duas das 81 cadeiras da “casa”.
A mobilização para a disputa eleitoral de 2014 já é evidente, mesmo que os nomes dos candidatos ainda não estejam definidos. Tão evidente como a sensação de que as duas últimas eleições, a do plebiscito de 2011 e da renovação das prefeituras, no ano passado, parecem não ter deixado nenhum acervo para a melhoria da gestão pública. O Pará continua a ser, literalmente ou em sentido simbólico, muito maior do que os seus líderes.

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