sábado, 22 de junho de 2013

Jacareacanga: Biólogos são sequestrados por índios mundurukus

 Três biológos foram sequestrados por indígenas na região de Itaituba, no Médio Tapajós, no Pará, onde estão sendo feitos estudos para a implantação da usinas hidrelétricas São Luis do Tapajós e Jatobá. Os biólogos estariam coletando dados na região para avaliação do impacto ambiental a ser causado na região, uma das mais preservadas da Amazônia Legal.
Segundo informações da Secretaria Geral da Presidência da República, o sequestro teria sido realizado por representantes do povo munduruku, que vive no Vale do Tapajós, espalhados em 118 aldeias à beira dos rios que formam a Bacia do Tapajós.

No feriado de Corpus Christi, no fim de maio, os mundurukus invadiram pela segunda vez um canteiro de obras da UHE de Belo Monte, que está em construção, e ameaçaram tocar fogo em alojamentos e escritórios do Consórcio Belo Monte. O consórcio de empreiteiras pediu ajuda ao governo federal, que abriu negociações e providenciou dois aviões da FAB para retirar os indígenas de Belo Monte e levá-los a Brasilia, onde se reuniram com o ministro Gilberto Carvalho.
Os indígenas tentaram ser recebidos pela presidente Dilma Rousseff e não conseguiram. A Secretaria Geral da Presidência prometeu abrir diálogo e adotar as regras da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, uma das exigências dos indígenas. A reunião teve a participação de entidades mediadoras, como a CNBB, a OIT, a Associação Brasileira de Antropologia e o Ministério Público Federal.
Na ocasião, Carvalho informou aos indígenas que eles serão consultados, mas que a Convenção 169 prevê negociação, mas não veto por parte das comunidades atingidas por grandes obras. Ao GLOBO, Valdenir Munduruku, representante do povo munduruku, disse na semana passada que, apesar da abertura do diálogo, o governo federal mantinha as obras das usinas hidrelétricas na Bacia do Rio Teles Pires e a empresa Diálogo Tapajós mantinha seu trabalho de encontros paralelos com as comunidades ribeirinhas.
O GLOBO tentou entrar em contato telefonico com representantes dos mundurukus, mas não conseguiu. As usinas das bacias do Teles Pires e do Rio Tapajós formam um conjunto de 10 hidrelétricas, consideradas as 10 últimas de grande porte a ser construídas no Brasil. Apesar disso, já há estudos para pelo menos mais três usinas hidrelétricas na região, embora sejam de menor porte.
O projeto apresentado no último dia 6 à prefeitura de Itaituba, no Sul do Pará, onde ficará a barragem, inclui as usinas Jatobá (Rio
Tapajós), Jamanxin, Cachoeira do Caí e Cachoeira dos Patos (Rio Jamanxin), num total de 10.682 MW, aproximando-a de Belo Monte (11.233 MW). O plano da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que estarão prontas entre 2017 e 2020. Os índios kayabi e apiaká também serão afetados. Juntos, são cerca de 20 mil indígenas no Vale do Tapajós.

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O GLOBO

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