quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Bispo de Itaituba denuncia educadora de Jacareacanga

Dom Vilmar Fantin
Dom Vilmar FantinO projeto do Governo Federal de implantação de cerca de 07 usinas hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós continua gerando polêmica nas regiões Oeste e Sudoeste do Pará. Na semana passada, uma carta escrita pelo Bispo da prelazia de Itaituba, Dom Vilmar Fantin, denunciou uso do nome da Igreja Católica, na aldeia indígena Munduruku, pela educadora Ana Laíde.
O Bispo declarou na carta que a educadora não tem autorização da Igreja Católica para trabalhar na Aldeia Munduruku. A declaração do Bispo Vilmar Fantin dividiu opiniões tanto em Itaituba quanto em Jacareacanga. No último final de semana, dezenas de entidades divulgaram nota manifestando apoio à educadora Ana Laíde.

Ela teve atuação contestada em carta aberta escrita pelo bispo Dom Vilmar Fantin, e lida em praça pública, no município de Jacareacanga, no dia 29 de setembro deste ano, horas antes da Audiência Pública que tratou da instalação da hidrelétrica Teles Pires-Tapajós.
A carta foi endereçada aos índios da etnia Munduruku. “Recebi a informação de que pessoas estão indo nas aldeias e se dizendo do Cimi. Esclareço que, nos últimos tempos, não dei autorização para qualquer pessoa do Cimi trabalhar, em nome da Igreja Católica, na área indígena Munduruku, mesmo porque o Cimi não me pediu”, diz a carta do Bispo, ressaltando que a educadora não tem autorização para trabalhar em nome da Igreja Católica entre o povo Munduruku. “Portanto, se vocês quiserem ouvir e seguir esta pessoa, vocês são livres para seguir, mas se surgir problemas deve ficar claro que a Igreja Católica não tem nada a ver com suas atividades na área indígena de Jacareacanga”, diz a carta do bispo Dom Vilmar Fantin.
NOTA DE DESAGRAVO: Uma nota pública de desagravo à educadora foi publicada. Na nota, as entidades ressaltam que, em uma região historicamente marcada por intensos conflitos e violência, a “atitude de Dom Frei Vilmar Santin é temerária”, uma vez que expõe Ana Laíde, “educadora popular que realiza um importante trabalho discutindo a questão dos direitos humanos e socioambientais, a uma situação de extrema insegurança”. No documento, as entidades frisam, ainda, que Ana Laíde se apresenta na região como militante pela causa socioambiental, como educadora popular, nunca como representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade da qual já fez parte. “Seu trabalho na busca por um mundo melhor, contra a destruição do meio ambiente e dos povos da floresta, tem o respaldo de todas as entidades e indivíduos que subscrevem este documento. A ela, e a todos os lutadores e lutadoras sociais criminalizados, expressamos nossa mais profunda solidariedade e apoio”, diz a nota, ao frisar que grande parte da Igreja Católica sempre foi aliada na luta contra os grandes projetos que historicamente tem levado à destruição da Amazônia e de seus povos, dos indígenas em especial. “Temos certeza que a carta do Bispo de Itaituba não representa o posicionamento dominante nessa Igreja”. As entidades afirmam que já denunciaram o caso ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual, e a todas as organizações nacionais e internacionais que têm como missão garantir o direito à livre organização, expressão e manifestação.
As entidades citam como exemplo de violação a morte do índio munduruku Adenilson Krixi, e o atual estado de militarização da região do Tapajós, ação respaldada pelo Decreto Presidencial 7957/13. “Exigimos que sejam tomadas providências imediatas antes que Ana Laíde, e outros ativistas, tombem abatidos pelas balas desferidas por jagunços, que recebem “sinal verde” de supostas autoridades, como já se verificou tantas vezes nesta região”, encerra a nota assinada por entidades e movimentos, dentre as quais o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA), Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua, Central Sindical e Popular Conlutas, Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL), Diretório Central dos Estudantes/UFPA, União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES), Diretório Central dos Estudantes/UFOPA, Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas (AOMT-BAM), Associação de Artesãos do Estado do Amapá (AART/AP), Associação de Hortifrutigranjeiros Pescadores e Ribeirinhos de Marabá (AHPRIM), Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA), Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC), Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN/MA), Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam).

Fonte: RG 15/O Impacto 

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