Nélio: “Temos que dar um basta ao descaso do Governo com região”

Deputado Nélio Aguiar
Deputado Nélio AguiarOs problemas de pico e falhas no sistema de distribuição de energia elétrica em Santarém e na região Oeste do Pará continuam sendo alvo de reclamações e polêmicas por parte da população e de autoridades. Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, o deputado estadual Nélio Aguiar (DEM) revelou os principais fatores que fazem com que o problema de energia em Santarém ainda não tenha sido resolvido. Nélio abriu a caixa preta da problemática e destacou que o Ministério de Minhas e Energia tem tudo a ver com os problemas de energia elétrica em Santarém. Veja a entrevista:

Jornal O Impacto: Hoje, em Santarém e região Oeste do Pará ainda há muitas reclamações do sistema de distribuição de energia elétrica. Como o senhor analisa toda essa situação?
Nélio Aguiar: Estamos acompanhando desde julho deste ano quando começou a ser maior o número de picos de energia causando inúmeros prejuízos para a população não só de Santarém, mas de toda a região Oeste do Pará. Convocamos na Alepa, na Comissão de Direito do Consumidor, a Celpa e a Eletronorte. Os representantes da Eletronorte não foram para a reunião, mas os diretores da Celpa compareceram. Durante o encontro foi feita uma revelação bombástica de que o problema que acontece em Santarém não é relacionado à distribuidora, mas na transmissão de energia devido a Eletronorte não transmitir a quantidade de energia suficiente para a Celpa distribuir. Isso mudou totalmente o contexto, porque tínhamos a Celpa como alvo e, inclusive, fizemos pressão sobre essa empresa. A Celpa resolveu abrir a caixa preta da energia e mostrar quem falhou nesse processo. Quem falhou foi o Governo Federal, o Ministério de Minas e Energia, que viu o linhão ficar esgotado e não tomou nenhuma providência, no sentido de construir um novo linhão para aumentar a capacidade de transmissão de energia, que é uma situação totalmente injusta com o povo do Oeste do Pará.
Jornal O Impacto: A política energética do Brasil comete falhas em relação ao Estado do Pará?
Nélio Aguiar: A política energética do Brasil, no momento em que precisa produzir mais energia e construir mais hidrelétricas toma os projetos como prioridade, enfrentando todos os obstáculos e aceleram as obras, fazendo todo o esforço possível. Aí temos um Estado com energia excedente, onde estamos exportando para os estados do Amazonas, Amapá, Maranhão e o Nordeste Brasileiro, ajudando a desenvolver outras regiões e não temos energia suficiente para atender a demanda domiciliar, por falta de um linhão que preste e, que tenha uma capacidade aumentada para fazer chegar essa energia até nós.
Jornal O Impacto: Enquanto a população da Calha Norte não tem energia firme, o linhão que abastece a Zona Franca de Manaus passa sobre vários municípios do Oeste do Pará e os moradores sofrem as conseqüências da falta de energia de qualidade?
Nélio Aguiar: Já existe mais de 30 anos que Tucuruí foi construída e, até hoje, os irmãos da Calha Norte não tem energia firme. Vivem na base das termoelétricas. Estamos numa situação em Santarém de retrocesso, porque há a possibilidades de voltarmos a consumir energia produzida por uma termoelétrica. O ministro Edison Lobão está desesperado tentando localizar uma termoelétrica em algum Estado e trazê-la para Santarém, para tentar estabilizar o sistema. Caso contrário, vão acontecer verdadeiros apagões, se não conseguirem essa medida emergencial com as termoelétricas. É vergonhoso a gente no Estado do Pará, que é rico em produção de energia, ficarmos consumindo uma energia cara, que polui e, que estamos voltando ao passado. Coloquei claramente na audiência com o ministro Lobão, o sentimento de revolta da população. Eu disse: Olha Ministro, estamos à beira de uma revolta popular na região, porque… O povo está revoltado! Se acontecer de derrubarem um linhão não vai ser surpresa. O povo já não agüenta mais o tratamento de descaso e da região ser vista como colonial. Agora que as providências devem ser tomadas, porque vamos receber uma termoelétrica de emergência. Para se construir um novo linhão do Tramoeste se levará no mínimo três anos. O primeiro leilão do Governo Federal relacionado à energia será apenas em fevereiro de 2014. Três anos a partir daí, é que teremos a expectativa de ganharmos um novo linhão para a nossa região.
Jornal O Impacto: Com a construção de um shopping na rodovia Fernando Guilhon e da expectativa da implantação de dois portos no bairro da Área Verde. Há o risco de um colapso de energia elétrica em Santarém?  
Nélio Aguiar: Corremos sério risco! Temos uma demanda crescente de energia elétrica. Inclusive, a própria construção da usina de Belo Monte foi ligada ao linhão de Tucuruí, no Tramoeste, que também está sobrecarregando o linhão. A falta de energia está inviabilizando economicamente a nossa região. Grandes projetos que deveriam ser instalados aqui, hoje, como uma metalúrgica pela Alcoa e a Fábrica de Cimentos, praticamente não são possíveis. Não adianta a gente se iludir e a população acreditar que virão grandes indústrias, porque isso não vai acontecer a curto prazo. A política da nossa região ainda vai ser de ficar a ver navios. Os navios estão levando a bauxita da nossa região para ser transformada em Alumina lá no Maranhão.
Jornal O impacto: O Ministério de Minas e Energia comete erros graves com relação á população da região Oeste do Pará?
Nélio Aguiar: Colocamos para o ministro Lobão a burrice do Brasil, no sentido de o linhão que passa sobre a Calha Norte levar energia para Manaus e não atender nossa população. Esse linhão só da Sudam e do FNO recebeu R$ 1,2 bilhão, de financiamento para poder beneficiar a Zona Franca de Manaus. O projeto de rebaixamento do linhão da Calha Norte, para beneficiar Faro, Terra Santa, Alenquer, Curuá, Almeirim, Prainha e toda aquela região custa R$ 200 milhões. O BASA e a Sudam já falaram que não vão financiar. Isso é um absurdo! Hoje, para funcionar aquelas termoelétricas, só em combustível, elas consomem R$ 120 milhões, por ano, mais R$ 40 milhões de manutenção. Ou seja, são R$ 160 milhões que são gastos por ano, para serem fornecidas uma energia de péssima qualidade e, que não agüenta atrair novos projetos, para desenvolver a região.
Jornal O impacto: A fábrica de cimento corre também riscos de não ser instalada em Santarém, o que poderá gerar milhares de empregos em Manaus?
Nélio Aguiar: Correto! A fábrica de cimento com essa crise energética não tem como se instalar em nosso Município. Se a empresa tiver muita na pressa na instalação e já ficamos sabendo de inúmeros convites para construir sua fábrica em Manaus, o que vamos perceber é que mais uma vez nossa região vai servir de colônia, sendo explorada para desenvolver outros estados. Caso a empresa se instale em Manaus vai utilizar a energia que está sendo fornecida daqui da nossa região pra lá e vai utilizar o nosso calcário. A empresa vai colocar nossas pedras de calcário, que é a matéria prima do cimento, em uma balsa para fabricar o produto lá em Manaus e gerar emprego e renda lá e pagar os impostos para a Receita Estadual do Estado do Amazonas. Não é possível continuar vivendo nesse modelo que hoje prevalece no Pará, mas temos que dizer basta, chega… Não aceitamos mais!
Jornal O Impacto: O que falta para que os nossos políticos sejam mais atuantes em Brasília, no sentido de que possam lutar por benefícios em questão de igualdade com representantes de outros estados?
Nélio Aguiar: A primeira coisa que deve acontecer no Pará é acabar com essa coisa de Senador do PT, de Democratas ou defendendo outra bandeira partidária. Na verdade, um Senador deve ser do Pará. Os deputados federais também devem esquecer a bandeira partidária e lutar por benefícios para a população. Quando eles chegarem em Brasília devem dizer: Nós viemos do Pará. Quando alguém perguntar em Brasília: Qual a sua bandeira partidária? O político deve responder: Eu sou do Pará! Aqui no Pará existe a disputa entre os partidos, mas fora do nosso Estado, lá em Brasília, todos devem lutar pelo beneficio da nossa população. Não pode ser de Remo ou Paysandu, todos devem ser do mesmo time, que é o Pará.
Jornal O Impacto: Em relação ao veto da presidenta Dilma Rousseff para a criação de novos municípios no Brasil. Como o senhor considera essa questão?
Nélio Aguiar: Fomos surpreendidos com o veto da presidenta Dilma. Primeiro, porque é um projeto que vem sendo trabalhado há mais de 15 anos. Já temos 17 anos que foram criados novos municípios no Brasil e, que apresentam um índice de desenvolvimento muito grande. Esse veto trouxe alguns problemas, como o caso de Castelo dos Sonhos, que fica mais próximo do Mato Grosso do que seu Município sede, que é Altamira, que fica há cerca de 1000 quilômetros de distância. Quem mora em Castelo dos Sonhos tem que circular por duas rodovias federais, que é a BR-163 e Transamazônica, para poder chegar a sede do município, em Altamira. Isso é um absurdo! Foi um projeto que foi discutido e aprovado na Câmara, onde passou. No Senado foi discutido e aprovado com duas novas regras, que não facilitam a criação de novos municípios. A Lei permite a criação de novos municípios desde que se enquadrem nas regras, com o mínimo de população, de eleitores, na titularidade da terra e se a área pertence a outro Município e Distrito. Na fase final do processo, tem dois itens importantes para serem criados: Um é o estudo de viabilidade econômica. O outro é o plebiscito, que é realizado em toda a área de interesse. Para nossa surpresa, a presidente Dilma com seu veto fez a gente voltar 17 anos no tempo.
Fonte: RG 15/O Impacto

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