Eletronorte anuncia corte de energia elétrica em Santarém e Itaituba



Hidrelétrica de Curuá-Una, em Santarém

Problemas relacionados à Hidrelétrica de Curua-Úna e a ameaça de corte parcial no sistema de energia elétrica nos municípios de Santarém e Itaituba está tirando o sono da população da região Oeste paraense. A ameaça concreta de um ‘apagão’ veio à tona, após o vereador Emir Aguiar (PR) denunciar na semana passada, na tribuna da Câmara Municipal de Santarém a suspeita do desvio de energia elétrica do Sistema Tramoeste, para abastecer a cidade de Manaus, no Amazonas, durante a Copa do Mundo, que inicia no dia 12 deste mês.
NOTA DA CELPA: Já a confirmação no problema de distribuição de energia em Santarém foi anunciada em nota emitida pela Celpa, no início desta semana, esclarecendo que a Usina de Curua-Úna pertencente à Eletronorte, localizada na região de Santarém, no Oeste paraense, está com apenas parte de suas máquinas funcionando. Esse funcionamento parcial é decorrente de problemas técnicos nesses equipamentos que mantém a usina em operação.
A Eletronorte informou à Celpa que já está trabalhando para solucionar o problema na usina, entretanto, caso não haja uma solução definitiva até o fim desta semana, o Operador Nacional do Sistema (ONS) já determinou que será necessário o corte parcial de carga nos municípios de Santarém e Itaituba para que todo o Sistema Tramoeste não seja desligado.
ESTUDO SECRETO: Mantido até agora sob reserva pelas autoridades de Brasília, um estudo realizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) traz uma péssima notícia para as populações de pelo menos oito municípios da região Oeste do Pará, todos eles agora colocados sob o risco iminente de racionamento de energia elétrica. Na origem do problema está o fato de que, por negligência ou falha de planejamento, não foram feitos em tempo hábil os investimentos que deveriam reforçar o sistema elétrico que abastece de energia a região.
O reforço deveria ter sido feito antes do início das obras de construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, e da conseqüente elevação do consumo ocasionada pelo empreendimento. Como isso não aconteceu, o sistema entrou em progressivo desequilíbrio e se encontra hoje gravemente desbalanceado, segundo definição dada pelos especialistas no setor, que advertem para a possibilidade de blecautes e oscilações de carga.
RACIONAMENTO: O estudo realizado pelo ONS deixa claro que quatro municípios devem ser de pronto afetados pelo racionamento, no momento em que o governo se dispuser – ou for compelido – a adotar a medida. São eles Itaituba, Belterra, Santarém e Rurópolis. Outras quatro cidades – Brasil Novo, Medicilândia, Placas e Uruará – deverão sofrer igualmente as mesmas restrições de consumo, se não no primeiro momento, certamente à medida que o problema for se agravando. Ao todo, o racionamento deverá afetar um contingente populacional próximo de 600 mil pessoas.
Para evitar a ocorrência de problemas e assegurar a estabilidade do sistema, segundo revelou uma fonte credenciada, deveriam ter sido construídas pelo menos três subestações, sendo uma em Altamira, uma em Vitória do Xingu e uma terceira no entroncamento das rodovias BR-163 (Cuiabá-Santarém) com a BR-230 (Transamazônica). Das três, somente a primeira, em Altamira, foi efetivamente construída. E isso não por causa do custo financeiro, já que uma subestação de grande porte é calculada em R$ 50 milhões, valor que representa uma fração ínfima do custo final de Belo Monte, estimado em R$ 32 bilhões.
IMPACTO SOCIAL: Isso mostra que a preocupação primeira – e quase única – dos tecnocratas de Brasília é viabilizar o projeto gerador de energia, sem se darem ao trabalho de refletir sobre problemas e transtornos que suas decisões possam eventualmente causar às populações afetadas. Mesmo, como é o caso, quando essa população está dentro de um Estado que oferece ao Brasil dois portentosos trunfos econômicos – o maior saldo de sua balança comercial e a maior parte (três quintos) da energia produzida em seu território.
De certa forma, está se repetindo agora, aliás, o que aconteceu no governo FHC em 2001, quando foi adotado o racionamento para responder à crise nacional na oferta de energia elétrica. Na época, o Pará, embora produtor e exportador de energia, também entrou no sacrifício. Para o apagão de 12 anos atrás, buscou-se como desculpa a falta de chuvas. Hoje, a causa, sem dissimulações, é uma só: negligência e falta de planejamento.
GOVERNO DESCARTA FALTA DE ENERGIA: O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zemmermann, afastou na última segunda-feira, 2, a possibilidade de adoção de racionamento de energia no Brasil até o ano que vem. Ele negou também que vá faltar energia durante a Copa do Mundo, que começa no dia 12 deste mês. Segundo Zimmermann, o País tem condições climáticas que permitem descartar a medida neste período.
Ele disse que estudos técnicos mostram que, pelo atual quadro, os riscos trabalhados hoje no País descartam qualquer hipótese de racionamento. O secretário destacou que um acompanhamento feito mensalmente mostra uma boa reação do sistema às baixas vazões de janeiro e fevereiro.
Para ele, o fato de haver equilíbrio estrutural permite garantir que a demanda do país vai ser atendida. “Vamos continuar acompanhando com atenção, mas isso nos dá a tranqüilidade de que o sistema brasileiro vai atender à sociedade tanto neste ano quanto no ano que vem, dentro daquilo que ele foi planejado. Nós não estamos trabalhando com a hipótese de racionamento, porque, tecnicamente, não há indicativo de que estejamos trabalhando com riscos muito acima daquilo que o sistema é planejado”, reforçou.
“A tendência é ter melhorado o desempenho a partir do momento em que se afasta daquele evento extremo que foi janeiro e fevereiro e o sistema vai entrando em normalidade. Vai-se aproximando da próxima estação chuvosa e, ao mesmo tempo, os patamares de vazões, que se tem dado, são bem melhores do que os que ocorreram em janeiro e fevereiro”, esclareceu.
Zimmermann explicou que o setor elétrico tem um sistema programado para trabalhar com um certo nível de riscos e que, quando existe equilíbrio e um bom número de usinas e de linhas, há tranquilidade de aguentar, como está acontecendo neste momento, uma situação hidrológica desfavorável. “Estamos trabalhando com um nível de risco que nos permite dizer isso [que não vai haver racionamento].”
De acordo com o secretário, no modelo usado pelo Brasil, em condições hidrológicas piores, uma situação de seca implica, naturalmente, ter, quando se trabalha em curto prazo, preços mais altos para o consumidor. Zimmermann ponderou, no entanto, que os riscos estão diminuindo com as perspectivas de maior volume de chuvas até o fim do ano.
O secretário descartou a possibilidade de falta de energia durante a Copa do Mundo, que vai do dia 12 deste mês a 13 de julho lembrando que o desempenho do setor melhorou nos últimos três meses. “Em março, abril e maio, o sistema melhorou. Então, estamos com tranquilidade e não falamos neste mês [junho]. Falamos, na verdade, em final de 2015. Até lá, o suprimento está garantido para aquilo que o sistema foi planejado.”
Fonte: RG 15/O Impacto

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