segunda-feira, 21 de julho de 2014

Chineses vão construir ferrovia que chegará a Miritituba

A presidenta Dilma Rousseff e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram ontem (17), 35 protocolos de cooperação em áreas como energia, educação, transportes, aviação civil, sistema financeiro, infraestrutura, mineração, tecnologia, resseguros, construção e agricultura. Dentre eles, conforme antecipou ontem reportagem do O Liberal, um dos mais importantes para o Estado do Pará, é o de Cooperação para elaboração de projetos ferroviários, do qual o governo chinês demonstrou interesse em investir na construção de uma ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará, com saída pelo Complexo Portuário de Vila do Conde, em Barcarena


Os dois governos avaliam o porto paraense um ponto estratégico de escoamento da produção de soja do Norte do País e estimam, que com a instalação dessa ferrovia, será possível reduzir o tráfego da BR-163, que atualmente escoa 70% da produção de grãos do Mato Grosso. Segundo o Ministério dos Transportes, a iniciativa chinesa foi de encomendar o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental sobre a construção dessa linha ferroviária. O próprio governo federal, através da Valec, estatal responsável pelas ferrovias, já fez esse levantamento, que segundo fontes do Planalto, deverão servir de apoio ao estudo chinês.  
O interesse dos chineses aos projetos ferroviários do País é avaliado pelo governo brasileiro como o principal saldo do encontro bilateral. Além dessa linha que corta o território paraense, foram oferecidas aos chineses outras cinco linhas consideradas estratégicas, que também estão em fase de estudo e logo serão leiloadas. O primeiro leilão previsto é o de concessão da linha de ligação entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), mas há diversas outras em fase de estudos, como algumas que ligam o cerrado brasileiro a portos do Norte, como Sinop (MT) a Miritituba (PA) e Sapezal (MT) a Porto Velho (RO).
"Esse é o grande fato desse nosso encontro", disse o presidente da seção brasileira do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), embaixador Sérgio Amaral. "Não conversamos mais sobre exportação de commodities ou investimento em infraestrutura, que marcaram o início das nossas relações, mas partimos para outro patamar, que é o de parceria", completou. O embaixador reforçou ainda, que a diferença agora é que as empresas dos dois países atuarão juntas.
"Haverá cooperação na construção da linha e no transporte da carga aqui. Por ligarem áreas produtoras de alimentos aos portos, algumas ferrovias caem como uma luva no interesse estratégico chinês de garantir sua segurança alimentar. Os empreendimento também proporcionarão redução do custo do transporte. Com elas, será possível aos chineses comprar grãos e proteína animal diretamente dos produtores brasileiros, em vez de adquirir esses produtos de tradings, como ocorre hoje."
O protocolo assinado ontem, trouxe ainda outros três atos relacionados ao Estado do Pará, como o acordo de cooperação sobre o estabelecimento do Instituto Confúcio (IC) na Universidade do Estado do Pará (UEPA). O IC é uma entidade de caráter público, sem fins lucrativos, estabelecida pelo governo chinês com o objetivo de propagar o ensino da língua chinesa e de difundir a cultura e os costumes chineses ao redor do mundo. Já os outros dois acordos foram na área de energia e mereceram destaque da presidente Dilma Rousseff durante a solenidade.
O primeiro, firmado entre Eletrobrás e a chinesa State Grid, estabelece os parâmetros para construção de linhas de transmissão para ultra-alta tensão na Usina de Belo Monte. Também no segmento de geração, um segundo acordo firmado entre Eletrobrás/Furnas com os construtores da hidrelétrica chinesa de Três Gargantas deve dar as bases do projeto de construção da usina hidrelétrica do Rio Tapajós.
"Esses investimentos apresentam forte tendência ao crescimento e à diversificação em áreas como energia, tecnologias da informação e da comunicação, automóveis, alta tecnologia, bancos, petróleo, entre outros setores consolidam a China como grande parceira do desenvolvimento brasileiro", ressaltou a presidente.
Dilma e Xi Jinping assinaram ainda memorando de entendimento para cooperação e intercâmbio de dados de observação da terra e acordo para promoção de investimento de cooperação industrial e de tecnologia da informação. Para aprimorar o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), os dois países assinaram protocolo na área de tecnologia da informação e sensoriamento remoto.
Na área consular, Brasil e China firmaram acordo para facilitar a emissão de visto de negócios para cidadãos dos dois países. Pelo acordo, o visto terá três anos de validade e permite a permanência no país por até 180 dias.
Em educação, brasileiros e chineses firmaram entendimento para incentivar a difusão do mandarim no Brasil em universidades federais e cursos online. Também foi firmado acordo para oferta de estágio na China para estudantes do Programa Ciência sem Fronteiras.
Os governos brasileiros e chinês assinaram ainda memorando de entendimento para cooperação no setor de infraestrutura entre o BNDES e o Banco de Desenvolvimento da China. De acordo com o governo brasileiro, o memorando trata de cooperação no setor de infraestrutura, com foco em projetos no Brasil e na América Latina.
Já a Vale e o Banco da China (BOC) firmaram um acordo de entendimento para cooperação em arranjos de financiamento globais. Conforme o Planalto, o memorando prevê financiamento do BOC para a Vale e terá validade de três anos. Segundo as autoridades brasileiras, esse acordo estabelece base para extensão de linhas de crédito do Eximbank à Vale, "para apoiar a aquisição ou locação, direta ou indiretamente, de equipamentos e embarcações de empresas chinesas".

Um comentário:

  1. COBRASMA - CBMA4 - vem aí gente! Sejam muuiiiiito bem-vindos, chineses queridos. kkkk

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