segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sindipol constatou irregularidades em delegacias

Representantes do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado do Pará (Sindipol) fizeram, na semana passada, uma blitz em delegacias localizadas na Região Metropolitana de Santarém (RMS), incluindo as cidades de Belterra e Mojuí dos Campos. Foi constatada falta de estrutura em alguns prédios e desvalorização dos profissionais da segurança pública. 
Aparentemente, a Delegacia de Polícia Civil de Belterra atende as necessidades dos policiais. Mas dentro do espaço falta iluminação, material de limpeza e os mantimentos para os profissionais que passam horas de plantão, são arrecadados pelos próprios servidores
. Os policiais militares e civis dividem o mesmo espaço. Uma cela que antes servia para a detenção de presos de justiça agora é o alojamento dos policias. Até o bebedouro da delegacia não funciona mais.
Segundo os policias que atuam em Belterra, um município com aproximadamente 15 mil habitantes, são liberados 90 litros de combustível por semana, o que é considerado insuficiente para a utilização das viaturas em todas as ocorrências. “O ideal seria pelo menos 200 litros”, afirma um servidor que não quis se identificar.
“O intuito da visita da diretoria executiva do Sinpol em Santarém e em cidades adjacentes é exatamente ver a estrutura dos prédios e as condições de trabalho dos policiais que aqui estão. E logo a princípio vimos que se trata de um prédio antigo, deteriorado, que não apresenta condições de segurança para os policiais que aqui trabalham’, avalia Rubens Teixeira, presidente do Sindipol.
Pelos fundos da delegacia existe um matagal que, para a comissão do Sindipol, pode ser facilmente utilizado por bandidos para invadirem o órgão, o que oferece perigo aos profissionais de segurança pública. “Constatamos várias irregularidades, entre elas, prédios inadequados, e isso é muito arriscado”, diz Rubens.

MOJUÍ DOS CAMPOS
A comissão saiu de Belterra e foi até Mojuí dos Campos, município recém-criado na região, e deparou-se com a unidade local fechada. Sem funcionamento, a Unidade Integrada de Polícia, entregue no ano de 2012, deixa todos os cidadãos à mercê da insegurança e falta de providências. “Infelizmente, em cidades distantes da capital, é normal encontrarmos delegacias fechadas. Aqui, se caso for necessário fazer uma ocorrência de qualquer natureza, é este cenário que o cidadão encontra”, lamenta Teixeira. 
Mojuí dos Campos é, portanto, dependente do efetivo de polícia de Santarém. “Isso é brincar de fazer segurança pública”, critica o representante sindical.

SANTARÉM
Em Santarém, a comissão também visitou delegacias. A primeira foi a Unidade Integrada de Polícia Pacificadora (UIPP), localizada em um dos bairros mais perigosos da cidade, Nova República. Apenas um policial militar se encontrava fazendo plantão na unidade, o que oferece risco iminente ao servidor público. 
Na noite de quinta-feira, 17, a visita iniciou pela seccional de Polícia Civil de Santarém, onde a equipe do Sindpol constatou banheiros desativados, falta de bebedouros e paredes comprometidas, além da insuficiência de pessoal. 
Em seguida, o grupo esteve na sede do Propaz Integrado, onde funcionam as delegacias da Mulher e de Atendimento à Criança e ao Adolescente, mas um aviso no portão informava que o horário de funcionamento nos dias de semana era até às 18h e encaminhava as ocorrências para a seccional de polícia civil nos fins de semana.
A equipe de Sindpol visitou ainda o serviço de segurança estabelecido na vila balneária de Alter do Chão, que especialmente em período de férias recebe muitos visitantes. No local, a unidade de polícia se encontrava fechada, apenas com os telefones da polícia e conselho tutelar na porta.
Apesar da grande movimentação de pessoas na praça principal e nos restaurantes, durante a permanência do sindicato, que durou pelo menos duas horas no local, nenhuma viatura passou pela área. 
A líder comunitária Socorro Mota critica a situação e diz que já precisou do serviço e não foi atendida. “Por duas das três vezes que eu precisei, não consegui encontrar a polícia em lugar nenhum. Tem dias que você procura a polícia e não tem ninguém. Você não encontra viatura, não encontra ninguém no prédio. É bem complicado”, afirma. (Com informações de Lucas de Castro e Jefferson Santos)
RESPOSTA
A reportagem do DIÁRIO DO PARÁ entrou em contato por telefone com a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), localizado na capital do Estado, e informou sobre as denúncias feitas pelo Sindipol. 
Segundo a Segup, os municípios da região do Baixo Amazonas serão contemplados com novos policias civis selecionados no último concurso público encerrado no início deste mês. A lotação já foi feita e os concursados já foram informados em que cidades irão prestar serviço. Haverá ainda uma reunião com esses novos policiais na Superintendência de Polícia Civil de Santarém.
Relatório será protocolado no MPE
O representante da Subseção da OAB em Santarém, Ubirajara Bentes Filho, que estava na vila para participar de um evento realizado pelos moradores, mostrou indignação com o descaso e enfatizou que a Ordem está à disposição para lutar por mais segurança para a população. “Segurança pública é um direito do cidadão que diz respeito à vida, e o Estado, desde que nós assumimos a OAB, faz apenas propaganda.
Constrói essas unidades de polícia, mas não tem o pessoal para responder por isso. E hoje nós estamos aqui em Alter do Chão com esta unidade fechada, sem ninguém, e como disse o líder comunitário, por falta de escrivão, isso não pode ocorrer”, desabafou. 
Ao conversar com os integrantes da equipe do sindicato, Ubirajara Bentes lembrou um episódio em que o secretário de Estado de Segurança Público esteve na OAB em Belém. “Ele mostrou números maravilhosos, que logo foram desconstruídos pela associação e sindicato dos policiais, mostrando a realidade.
Enquanto o secretário apresentava dois ou três homicídios no Pará, em Belém ocorria uma média de oito a 10. Ou seja, são coisas que precisam ser colocadas para que a população fique ciente do que está ocorrendo, porque a gestão é importante e isso nós não estamos vendo”, conclui. 
Todas as informações apuradas pelos representantes do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado do Pará, contendo fotos, vídeos e relatos do que foi visto pela comissão nas unidades, serão incluídas no relatório analítico a ser protocolado no Ministério Público Estadual (MPE).
(Diário do Pará)

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