quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Simão Jatene amplia base aliada na Assembleia Legislativa

O governador Simão Jatene terá uma base aliada maior na Assembleia Legislativa (Alepa) a partir de 2015. As bancadas do PMDB e do PT, adversários políticos diretos nestas eleições, encolheram de 16 para apenas 11 deputados. Mas, como o percentual de renovação na Casa foi de 56% nestas eleições, é bem provável que mudanças nas articulações tanto do governo, quanto na oposição, deem um novo ritmo aos trabalhos. Ontem, o clima no parlamento foi de desarmar os palanques. Em discurso conciliatório, o líder do governo, José Megale (PSDB), pregou a união dos partidos em torno de interesses comuns.

“A campanha foi acirrada, mas é chegada a hora de desarmar os palanques. Temos questões sérias e urgentes que transcendem os partidos e que precisam ser resolvidas. Os parlamentares do Pará precisam se unir em torno do derrocamento do Pedral do Lourenço, por exemplo, da discussão tributária também e para isso vamos precisar de todos os partidos”, afirmou Megale.
Diferentemente das sessões que antecederam ao pleito, ontem, não se falou sobre a instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e o próprio tom da oposição também foi mais ameno.
“A eleição revelou, tanto em nível nacional, como no estadual, que o eleitor quer mudanças, mas que estas sejam feitas por aqueles que já estão no poder. Tanto no caso da Dilma, como na do Jatene, a diferença na votação foram praticamente as mesmas. O que ligou um sinal de alerta para o que precisa ser feito, para a necessidade de fazer mudanças” afirmou o deputado Carlos Bordalo (PT), ressaltando que pretende nesta próxima gestão fazer uma oposição programática em torno dos interesses do Estado.
A bancada do PT foi a que mais encolheu nestas eleições. De oito deputados passará para apenas três. Já a bancada do PR foi a que mais cresceu, passando de um para três representantes. As maiores bancadas, no entanto, continuam sendo a do PMDB, com oito deputados, e a do PSDB, que aumentou de cinco para seis deputados.
Mas, de uma maneira geral, independentemente do quantitativo de cada bancada, haverá uma grande mudança na articulação das discussões da Casa. Dois dos maiores críticos do atual Governo, o deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) e a deputada Simone Morgado (PMDB), por exemplo, não estarão mais na Alepa em 2015, porque foram eleitos deputados federais. Por outro lado, o Executivo também perderá um dos seus principais interlocutores. Megale, que não concorreu nestas eleições.
Resta também saber como se comportarão os 23 deputados que começam ou estão retornando à Alepa em 2015. O percentual de 56% de renovação nas eleições deste ano é bem superior ao da eleição de 2010, quando houve mudança em 43% das cadeiras.
DESAFIOS
Porém, não será apenas a mudança de nomes que terá de ser administrada pelo governador reeleito Simão Jatene. Questões como a votação do Orçamento para 2015, a eleição para Mesa Diretora da Alepa e a integração entre as diferentes regiões do Estado estão entre os desafios do próximo mandato.
Ontem, o líder do governo falou que não existe um Pará dividido, mas reconheceu que apesar todo o trabalho que é feito nas regiões oeste, sul e sudeste, as urnas enviaram mensagens sobre a necessidade da maior presença do governo estadual nas regiões mais distantes da capital.
“Eu acho que esta eleição nos levou também a algumas reflexões: as regiões oeste, sul e sudeste do Pará, no que pese os investimentos feitos nestas regiões, tiveram o sentimento separatista aflorado nestas eleições. E este é um ponto que precisa ser corrigido. Tanto que nas áreas em que houve o asfaltamento para as sedes dos municípios se manteve a média de votação de outros anos. Acredito que com a construção dos dois centros regionais administrativos e a conclusão dos hospitais regionais, dois motes do governo Jatene, esta presença do Estado será mais forte”, afirmou Megale.
A cobrança pela descentralização dos investimentos, no entanto, vai exigir um esforço ainda maior dos deputados oriundos destas áreas. Nestas eleições, diminuiu a representatividade dos parlamentares das regiões oeste, sul e sudeste do Estado. Se nas eleições de 2010, dos 41 deputados, 11 tinham suas bases eleitorais na região oeste, a partir de 2015 serão apenas seis: Junior Hage (PR), Junior Ferrari (PSD), Hilton Aguiar (SD), Airton Faleiro (PT) e Eraldo Pimenta (PMDB). Já as regiões sul e sudeste terão sete representantes, o mesmo número da atual legislatura. Saem Parsifal Pontes (PMDB), Bernadete Ten Caten (PT), Milton Zimmer (PT) e Tetê Santos (PSDB), mas entram Eliane Lima (PSDB), Chamon (PMDB), Dirceu Ten Caten (PT) e Lélio Costa (PCdoB). Foram reeleitos Fernando Coimbra (PSD), Tião Miranda (PTB) e Sidney Rosa (PSB).
TESTEMUNHAS
Depois de ouvir 11 testemunhas de acusação e 53 de defesa, em audiências realizadas desde o dia 5 de agosto passado, a Justiça criminal, em Belém, ainda precisa ouvir quatro testemunhas de defesa, para entrar na fase de interrogatórios no processo que apura o rombo de R$ 10 milhões na Assembleia Legislativa do Pará, entre os anos de 2003 e 2010. 
Ainda serão ouvidos o servidor do Ministério Público estadual Antônio de Pádua Bechara, arrolado como testemunha de defesa pelo próprio juízo; além do deputado Haroldo Martins, recém reeleito pelo DEM na última eleição para Alepa; o atual prefeito de Santa Luzia do Pará, Adamor Aires de Oliveira e Wanderlei da Silva Santos, o Deley Santos, ex-deputado que atualmente reside em Tucuruí.
Exceto o servidor do MPE, todas as demais testemunhas foram arroladas pela defesa do ex-deputado Robson do Nascimento, o Robgol, um dos réus no processo. Ele insiste nos testemunhos de quem tem foro privilegiado e a prerrogativa de definir quando e onde querem ser ouvidos.

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