terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Desastre Ecológico - Milhares de peixes morrem por causas desconhecidas na 'Lagoa do Irajá'



Até o momento, não foi dada uma explicação lógica que possa esclarecer o que vem acontecendo no manancial conhecido como "lagoa do Irajá", localizado às proximidades do bairro Vitória Régia, na antiga invasão do Botinha. Nos últimos dois dias, milhões de peixes de pequeno tamanho e de várias espécies morreram. Moradores dos arredores foram surpreendidos pelo fenômeno, que deixou uma grande preocupação, principalmente porque o local era considerado como uma alternativa para pessoas de baixa renda, que sempre pescavam para complementar a sua alimentação.
A reportagem do Blog esteve no local, onde foram registrados fotos e vídeos para divulgar o assunto. Crianças e jovens que brincavam no local ficaram assustados. Segundo eles, foi a primeira que viram tal situação. "Eu fiquei muito triste com isso. A gente vê tanta gente com fome, querendo comida, e um monte de peixes assim, tudo podre. É triste", disse a pequena Janice Oliveira, de 14 anos. Taynan, também de 14 anos, disse que ficou até com medo de chegar perto da lagoa. "Eu nunca tinha visto isso. A gente vê esses peixes, traíra, cará-tinga e outros tipos, assim, morto. Eu fico com medo até de ficar aqui perto", depôs.

Os peixes em decomposição...


...Se acumulam nas margens da lagoa


Nesta ápoca do ano, a lagoa alcança até 14 mil metros quadrados em toda sua extensão e é pouco utilizada para o lazer ou utilidades domésticas, como a lavagem de roupas. O entorno já tem mais de 80% da sua área ocupada de forma desorganizada e sem nenhum planejamento. A realidade atual pode ser consequência disso. Fato é que esse 'presente da natureza' está sendo gradativamente destruído pela ação do homem. Crime ambiental ou desastre natural? Não importa. Ambos os casos são resultado da ambição e da especulação. Mas a natureza tem suas estratégias. Quando ocorre naturalmente, este tipo de fenômeno acaba sendo contornado mais adiante por conta própria. E os recursos pesqueiros acabam se recompondo naturalmente.
O assunto foi levado ao setor de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente de Itaituba (Semap), que destacou uma equipe para averiguar a informação. No local, os fiscais disseram que não poderia gravar entrevista, mas fizeram algumas suposições acerca do que pode estar acontecendo. Segundo eles, a fermentação da água pode ter um dos fatores contribuintes para o fenômeno. Pode estar havendo, também, uma reação provocada por uma ação externa. Esta ação seria a grande quantidade de lixo depositada no entorno da lagoa. Em pouco tempo, o lixo se decompõe e produz uma substância conhecida por "chorume". Esse composto é carreado pela enxurrada para a lagoa e acaba provocando uma nova reação, que, dependendo do seu produto de origem, pode ser benéfica ou maléfica para o manancial. Nesse caso, é possível que tenha sido criada ali um tipo de "maré vermelha fluvial", ou um conjunto de bactérias e enzimas que se multiplicou rapidamente e suprimiu parte do oxigênio, provocando a morte por asfixia. Mas isso, por enquanto, são apenas suposições. Infelizmente, ainda não é possível definir uma causa exata porque o único laboratório de água disponível para a Secretaria só é adequado para análises básicas, não podendo identificar uma causa mais complexa.
FONTE:TAPAJOS EM FOCO 

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