quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Explicações da Celpa sobre reajuste não convencem deputados


Um dia depois da reunião com os executivos da Equatorial Energia sobre os problemas causados pela Celpa aos consumidores paraenses, os deputados estaduais repercutiram na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), em tom de indignação, as alegações feitas pela concessionária de energia, no encontro de terça (24). 
As queixas quanto aos maus serviços prestados pela empresa e a precariedade do sistema de fornecimento de energia elétrica na Região Metropolitana de Belém e, sobretudo, no interior do Estado, pautaram boa parte dos debates na sessão ordinária de ontem.
A grande expectativa na Alepa, agora, é pela realização da sessão especial que voltará a discutir a atuação da Celpa no Pará. A sessão estava marcada para quinta-feira, 5 de março, mas foi transferida para o dia 10 de março, uma terça-feira, para não coincidir com a audiência pública da Câmara dos Deputados, pedida pelo deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), que será no dia 5, às 9h, no Centur, também para discutir os problemas da Celpa.
Da tribuna, o deputado estadual Miro Sanova (PDT), disse que em recente viagem ao município de Ulianópolis, no sudeste paraense, visitou escolas que dispõem de aparelhos de ar-condicionado, os quais não funcionam pela falta de energia firme, obrigando os alunos a estudarem sob forte calor, em ambientes abafados.
Para Sanova a majoração do valor da tarifa de energia praticada no Pará, uma das mais caras do Brasil, não é de responsabilidade da Celpa, mas da Agência Nacional da Energia Elétrica (Aneel), no entanto, ele foi taxativo ao cobrar maior qualidade nos serviços oferecidos pela empresa aos paraenses. 
“A Celpa não está aqui de graça, ela está faturando. Todo paraense sente no bolso o preço que paga. Paga caro e ainda tem um fornecimento de péssima qualidade’’, afirmou o representante do PDT. “O diretor Nonato Castro (da Celpa) veio aqui e nos disse que em quatro anos, ela estará entre as melhores concessionárias nacionais. Torço para que isso aconteça, mas vou acompanhar cobrando, porque hoje ela está na lista das piores em prestação de serviços do País”, completou Sonava.
Líder do Governo na Casa, Eliel Faustino (PSDB) também se mostrou insatisfeito com as razões da empresa em defesa dos atuais valores da tarifa e do atendimento aos paraenses. “Boa parte sem convencimento algum’’, avaliou Faustino. Ele argumentou que o Estado do Pará vem sendo ‘’vilipendiado’’ pelo governo federal, que não abre mão da volumosa carga tributária do setor elétrico nacional. “Nós não ganhamos com a produção de energia. O modelo tarifário nacional não leva em consideração a área ambiental impactada ambientalmente, entre outras questões. A regulação da Aneel aprofunda o abismo entre o Norte e o Sudeste’’, observou o deputado. “Vou cobrar explicações sobre taxa abusiva e a má qualidade do serviço, esse é o nosso papel enquanto deputados’’, assinalou Eliel.
Fornecedores de terceirizada da Celpa em Barcarena sofrem com calote
Pequenos comerciantes e fornecedores de serviços na área de hotelaria e restaurantes em Vila dos Cabanos, no município de Barcarena, na região do Baixo Tocantins, à empresa Reluz Serviços Elétricos Ltda, prestadora de serviço da Celpa, denunciam que há dois meses se sentem lesados, desde que a Reluz anunciou falência. O pagamento dos fornecedores e funcionários seria feitos pela Celpa, a qual, em concordata com a Reluz, ficou de cumprir o compromisso, já que a Celpa deve R$ 6 milhões à prestadora de serviços. Somente para dois pequenos comerciantes, Jorge José de Lana e Norma Lúcia de Macêdo, a dívida chega a R$ 64,19 mil. A empresa continua a prestar serviço para a Celpa na Região Metropolitana de Belém, onde o problema poderá se repetir.
Jorge José de Lana tem a receber da Reluz R$ 14 mil pela prestação de serviços na área de hotelaria, mas ainda não conseguiu sequer ser recebido pela Celpa para tratar da dívida. “A Reluz, que trabalha com controle de energia, conhecido como ‘gato’, em Vila dos Cabanos, comunicou, em dezembro de 2014, informalmente, que faliu. Falou que a Celpa lhe deve R$ 6 milhões, que pediu concordata, e que a Celpa pagaria os trabalhadores e fornecedores. Desde então, estou atrás desse dinheiro. Entendo que a Celpa tem obrigação de me pagar, porque a Reluz abriu mão de receber esse valor. Mas já tentei muitas vezes ser atendido pela Celpa em Belém e não consigo”.
Ele afirma que somente na última terça-feira (24), consegui furar o bloqueio na Celpa e ser recebido por um funcionário. “Um homem chamado Cidney, na Celpa da rodovia Augusto Montenegro, me atendeu depois que consegui entrar dizendo que ia resolver outro tipo de problema. Quando soube do real assunto, ele não queria me atender direito, e falou que a Celpa vai pagar somente os funcionários da prestadora de serviços, e não os fornecedores”, conta o comerciante.
Ainda segundo Jorge de Lana, a Reluz deve a funcionários e trabalhadores não somente em Vila dos Cabanos, mas em vários municípios paraenses. O escritório da empresa em Belém será fechado em 31 de março, tornando a situação mais difícil para os fornecedores. “A empresa continua prestando serviço para a Celpa na Região Metropolitana de Belém, onde deverá ocasionar o mesmo problema. Depois que seu escritório de Belém fechar fica pior, porque a sede da Reluz é em Campo Grande, Minas Gerais. O que Norma e eu queremos é tornar pública essa situação e juntar mais credores, para contratarmos um advogado em conjunto e termos força para receber nosso pagamento”, disse Jorge de Lana.
Outra pessoa prejudicada é a comerciante Norma Lúcia de Macêdo. Ela mostra documentos dos serviços que prestava na área de hotelaria e restaurante à Reluz, dos quais restaram a dívida de R$ 50,19 mil, sendo R$ 28,80 mil com hospedagens e R$ 21,39 mil com alimentação.
Os credores que quiserem entrar em contato com os comerciantes podem fazer por meio do telefone 91-98737 8221, ou pelo e-mail contato@hotelraiardosol.com.br.
A reportagem contactou o escritório da Reluz Serviços Elétricos Ltda em Belém. Mas a informação é de que esta não responde mais pela situação e repassou o contato de um advogado da empresa em Minas Gerais, mas a ligação não foi completada. A assessoria de imprensa da Celpa informou que “a Celpa não se responsabiliza por qualquer dívida de empresas parceiras”. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário