terça-feira, 14 de julho de 2015

Corregedoria investiga abuso de policiais no Pará

O abuso cometido por agentes da segurança pública do Pará levou a Corregedoria da Polícia Civil a abrir 13 procedimentos administrativos nos últimos 18 meses. Os casos mais comuns foram de policias que prenderam os suspeitos sem provas. De acordo com a Corregedoria, Caso as irregularidades sejam comprovadas, os servidores podem ser presos ou expulsos da corporação.

Caso Lucas Costa“Todas as irregularidades que chegam referente aos policiais civis são objetos de apuração pela corregedoria. O servidor pode ser responsabilizado com uma repreensão ou uma suspensão de um a 60 dias pelo delegado geral  e 90 dias pelo governador. Em uma situação mais grave, ele é demitido”, explica a corregedora  geral da PC, Liane Martins.
O mecânico Paulo Francisco Martins da Costa e o seu amigo de infância Matheus Eduardo Carvalho Moraes ficaram em uma cela na central de triagem no bairro de São Brás, em Belém. Eles eram suspeitos de estarem envolvidos no assalto a um ônibus, no bairro do Marco, que resultou na morte do estudante de fisioterapia Lucas Costa, no dia 23 de maio deste ano.
Os dois rapazes foram detidos minutos depois do crime, quando passavam pela travessa Mauriti. Eles foram abordados pela polícia e colocados dentro de uma viatura sem entender o que estava ocorrendo. “Eu sofria chorando e pensando no meu filho”, conta Paulo Francisco.
Na época do crime, nem todas as testemunhas reconheceram os dois como os assaltantes, mas o flagrante foi mantido. Três dias depois, dois adolescentes confessaram o crime e foram apreendidos pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA), porém, a Justiça só concedeu a liberdade aos dois homens no dia 3 de junho. “Eu vou correr atrás dos meus direitos, dar uma estrutura melhor para a minha mãe e para o meu filho. No momento o que vai me ajudar é isso”, diz o mecânico.
Bar Oito
Já a comerciante Karllana Cordovil conta que chegou a fazer quatro denúncias de abuso policial na corregedoria em menos de um ano porque teria recebido constantes cobranças de dinheiro para que o bar que ela administra pudesse funcionar normalmente. No mês de julho, a situação ficou mais grave, pois o local foi invadido por três policiais civis e uma pessoa encapuzada que ainda não foi identificada. Ela e o marido Pedro Souza Paupério foram presos sob acusação de tráfico de drogas.

“Eles tiraram a minha segurança, me humilharam e humilharam o meu marido. Eu trouxe o meu esposo de outro país, falando que a minha cidade era maravilhosa e aí ele chega aqui para ser humilhado”, desabafa a comerciante.
De acordo com a Corregedoria da PC, no caso de Paulo Francisco e Matheus Eduardo o inquérito policial ainda não foi concluído e eles continuam na condição de investigados. Ainda segundo órgão, foi recebida nesta terça-feira (14) uma denúncia formulada no Ministério Público do Pará pelo casal dono do bar. Serão tomadas providências para apurar a conduta dos policiais.
Apoio nas redes sociais
A prisão de Karllana e Pedro teve ampla repercussão nas redes sociais e amigos fizeram uma campanha pela liberdade do casal. Quatro dias depois do suposto flagrante, a Justiça considerou a conduta dos policiais ilegal, pois não teriam apresentado mandado de busca para entrar no bar e teriam detido Pedro antes mesmo de efetuarem a busca no bar. Até hoje, não se sabe de onde surgiu a droga apreendida no local. “Todo mundo falava: a culpa não é sua, você sempre se respaldou em tudo e vai ser inocentada”, diz Karllana.

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