sábado, 15 de agosto de 2015

Adesão à Independência é marco na história do Pará

Um marco na história do estado e do país, a Adesão do Pará à Independência do Brasil é relembrada hoje. O feriado de 15 de agosto é um símbolo que rememora 192 anos de história. Há 18, através de um projeto de lei proposto pelo então deputado estadual Zeno Veloso, esse dia foi instituído como Data Magna e tornou-se o único feriado do Estado, já que uma lei federal determinou que os Estados-membros deveriam escolher um dia para instituir como feriado e eliminar todos os outros de seu calendário. 

Gritar “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” é bem comum nos estádios; e hoje pelas ruas do Brasil, o hino ganhou peso político. Houve um tempo, no entanto, que nem todos os estados da federação gostariam de fazer parte dela e o Pará foi o último a aderir à Independência do Brasil. A professora da Faculdade de História da Universidade Federal do Pará (UFPA) Magda Ricci acredita que esse é o momento histórico em que se inicia uma identificação do povo paraense com a cultura do restante do país, já que até aquele momento a então Província do Grão-Pará mantinha-se isolada do território federal.
Em 15 de agosto de 1823, de forma conflituosa, o Pará, antes colônia portuguesa, passa a ser considerado parte do território brasileiro. “A adesão à causa brasileira foi o primeiro passo para a formação de uma identidade patriótica maior”, explica a historiadora. Até 1822, o Brasil era dividido em duas províncias: a do Grão-Pará e Maranhão e a do Brasil. 
Até 1815, com a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as províncias separadas passaram a ser uma única, batizada de Reino Unido. Com o retorno de Dom João VI para Portugal, em 1820, começou uma crise no estado que precisava decidir entre se aliar ao Brasil ou permanecer ligado a Portugal.
Segundo a professora, o Pará foi o primeiro a aderir à causa portuguesa, visto que isso representava liberdade política e econômica. Mas militares, que deveriam seguir até a Bahia para incitar a adesão, chegaram ao extremo norte e blefaram ao dizer que eram o primeiro de uma frota de navios pronta para invadir o estado, caso os paraenses não cedessem à causa.
“Esta tomada não mudou muita coisa na vida dos mais pobres e dos escravos, dos povos indígenas e dos mestiços. Deixamos de pertencer ao império português e passamos a pertencer ao império brasileiro. Havia uma expectativa de mudanças, mas nada disso ocorreu e rapidamente eclodiram revoltas”, finalizou a professora.

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