quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Com R$ 100 bilhões em investimentos, Tapajós deve ignorar crise

por Paulo Leandro Leal (*)
foto blog - pauloÉ normal que em tempos de crise, como este, as pessoas e as empresas pisem forte no freio, refaçam os planos, segurem investimentos, enfim, ficam meio que em stand by esperando para ver o que acontece.

Mas esse pode ser um erro para os que vivem e atuam na região do Tapajós. O medo da crise pode fazer muitos perderem um dos melhores momentos da região, que está recebendo investimentos bilionários.
Especialmente a região do médio e baixo Tapajós é muito rica em minério, além do seu imensurável potencial logístico e energético. Por muitos anos estes potenciais ficaram só no papel, com exceção para a extração de ouro em garimpos tradicionais.
Agora, investimentos privados e públicos começam a dar à região o papel que merece no cenário econômico, transformando-a em um polo logístico, mineral e energético. Estes setores devem investir na região nos próximos cinco a dez anos mais de 100 bilhões de reais.

No setor mineral, somente na região de Itaituba, pelo menos seis grandes empresas de mineração estão em fase adiantada de pesquisa e devem instalar plantas mineradoras. Além disso, os investimentos na profissionalização e legalização da atividade garimpeira nos últimos anos aumentaram a extração de ouro. Hoje, segundo dados do comércio local, cerca de R$ 2,5 milhões circulam diariamente na cidade oriundos da atividade.
Na logística, uma verdadeira revolução está acontecendo em Miritituba, bairro de Itaituba.
Cerca de 17 terminais portuários denominados Estações da Transbordo de Cargas (ETC) estão ou em operação, ou construção ou licenciamento. São mais de R$ 2 bilhões em investimentos somente nos terminais mas, somados, os investimentos ultrapassam os dez bilhões. Hoje, um porto da Bunge já opera no local e, no primeiro semestre do próximo ano entram em operação terminais da Cargill, Cianport e Hidrovias do Brasil.
Estes terminais servem para receber os grãos trazidos em carretas do Mato Grosso via BR-163, que está quase que totalmente pavimentada entre Miritituba e Cuiabá. Depois, seguem em balsas até navios ancorados em portos em Santarém, Barcarena e Macapá. A criação deste corredor na BR-163 cria oportunidades incríveis.
Hoje, cerca de 200 caminhões do tipo bitrem circula pela rodovia todos os dias, movimentando diversos outros setores. Até 2020, serão mais de 10 mil caminhões diariamente o que, num movimento de ida e volta, totaliza mais de 20 mil veículos/dia somente para o transporte de grãos. As possibilidades de uso da chamada logística reversa, aproveitando o retorno destas carretas, são ainda quase que inexploradas e devem crescer nos próximos anos.
A realidade no entorno da BR-163 já começa a mudar. Em Miritituba, foi inaugurado na semana passado o primeiro mega posto de combustível para atender este novo tempo, conjugado com o Centro de Triagem da Bunge. O empreendimento, de um empresário de Itaituba mesmo, tem previsão de faturamento anual de mais de R$ 100 milhões.
Para se ter ideia do tamanho do negócio, um único posto de combustível em Novo Progresso, da empresa Martelli, abastece hoje cerca de 140 mil litros de diesel dia. E a coisa mal começou.
Tudo vai ficar maior e melhor. Até o começo de 2016, o governo finaliza a concessão do último trecho da BR-163, entre Sinop a Miritituba. Em cinco anos, todo o trecho estará completamente duplicado, um sonho que nem os mais otimistas poderiam imaginar que se realizaria um dia.
Mas não para por aí. O maior investimento previsto para a região é na área energética. O governo está se esforçando e ultimando os preparativos para dar início a um mega complexo hidrelétrico, que inclui duas grandes usinas e três pequenas centrais, totalizando mais de R$ 60 bilhões em investimentos. A primeira usina, a de São Luís, deve ser licitada no próximo ano e as obras começam em 2017.
Itaituba será o centro motor destes investimentos em energia, agregando novos serviços, crescimento urbano planejado, se consolidando como um grande polo regional e reduzindo praticamente a zero a sua dependência de Santarém.
A hora não é de pisar no freio, mas sim de investir, modernizar os processos de gestão nas empresas e se preparar para mergulhar fundo num tempo de prosperidade e crescimento.
Só quem estiver preparado vai aproveitar as oportunidades criadas com todos estes investimentos. Na próxima semana, começo a apresentar sugestões de como as pessoas, empresas e governos podem aproveitar melhor este novo tempo.
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É empresário e jornalista.

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