sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Pará é o 10° no ranking de denúncias de exploração sexual de crianças

O Pará é o décimo estado do Brasil com maior número de denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes. Foram 167 casos registrados somente neste ano, e 800 vítimas que receberam atendimento no Pro Paz. Uma campanha de combate a esses crimes será lançada em Belém, especialmente voltada para os municípios do arquipélago do Marajó.

Uma jovem conta que se prostituiu por três anos durante a adolescência e que foi atraída pelo dinheiro fácil, e por amigas também exploradas. No início, não se deu conta que era vítima de violência sexual e chegou a se culpar. "Eu me arrependo muito, sabe? Me arrependo muito dessa vida que eu estava, porque as pessoas falavam um monte de coisas pra mim, que eu não me valorizava", contou a moça, que manteve a identidade em sigilo.

Estupro, abuso, tráfico ou exploração sexual de crianças e adolescentes são crimes. Dados do Disque Denúncia revelam que só no primeiro trimestre desse ano foram 4.580 casos registrados no país. Os números indicam que a maioria dos casos ocorrem em municípios de regiões portuárias, onde é mais difícil o fortalecimento de ações de combate a exploração sexual.

Por isso, o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) lança nova campanha de combate a exploração sexual, voltada principalmente aos municípios ribeirinhos. Kits podem ser produzidos por parceiros que quiserem entrar na luta pela conscientização e incentivar a denúncia desses crimes.

"A gente percebe que há um aumento de denúncias, principalmente na ilha do Marajó. Às vezes, o crime não chega nem a ser notificado, acaba ficando naquela comunidade. A população se cala por medo", explica a coordenadora do Cedeca, Alessandra Cordovil.

Quanto mais solidariedade, mais a sociedade derruba o preconceito social com vítimas de violencia sexual. "A família diz que a criança ou o adolescente estava usando uma roupa muito curta, que a criança tinha um comportamento desajustado que atraía a atenção dos homens, isso não é real, é social, histórico, e foi construído de maneira errada", diz a psicóloga do Pro Paz, Ana Júlia Moreira.

A luta das vítimas contra a violência sexual começa a ganhar força. "Prefiro fazer faxina na casa dos outros do que estar me dando por dinheiro, ficar aceitando aquelas palavras, sendo humilhada", diz a jovem.

Se você quiser denunciar esse tipo de crime, é só ligar para o disque 100.

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