domingo, 1 de maio de 2016

Companhias aéreas reduzem número de voos no Pará

Prejudicadas pela desaceleração da economia brasileira, as companhias aéreas estão reduzindo a oferta de voos no País, como forma de compensar a forte redução na demanda decorrente da crise. Nessa estratégia de cortes para enfrentar os desafios desse momento desfavorável, o Estado do Pará surge como um dos principais prejudicados pela diminuição de voos. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Estado perdeu em um ano cerca de um quarto (23,6%) dos voos programados.

Em números, são quase 200 decolagens a menos nos aeroportos do Estado. Na última semana (de 18 a 24 de abril), por exemplo, foram 575 voos programados, enquanto que no mesmo período do ano anterior (de 20 a 26 de abril de 2015) foram 753. No mesmo período, os voos com origem em Belém sofreram uma queda de 20%, caindo de 415 para 334. Com exceção do aeroporto de Itaituba, o mais importante da região sudoeste do Estado, que ampliou de seis para 18 o número de voos programados por semana, todos os demais reduziram o tráfego aéreo entre 2015 e 2016.
De acordo com a Anac, o impacto da crise é maior nos aeroportos do interior do Estado. Em Marabá, os voos semanais programados tiveram redução de 38,7% (caiu de 80 para 49); em Carajás, 37,5% (de 32 para 12); em Altamira, 29,7% (de 84 para 59); e em Santarém, 17,7% (de 113 para 93). Em outros quatro aeroportos regionais a situação é ainda mais alarmante, uma vez que não registraram nenhuma operação na semana analisada.
“Os aeródromos no Estado do Pará que deixaram de operar voos regulares e não regulares, mas que não necessariamente tiveram seu tráfego aéreo fechado, foram: Monte Dourado, Tucuruí, Ourilândia do Norte e Redenção. É importante considerar que a oferta por parte das companhias aéreas, como em qualquer outro mercado, acompanha o movimento da economia com adequação do nível de oferta ao da demanda”, explicou a O LIBERAL, através de nota, a assessoria de comunicação social da Anac.
“Essa adequação é feita por meio da criação de novas rotas ou extinção de rotas existentes, bem como redução de voos e, por sua vez, funcionários. Esse movimento é dinâmico e se altera bastante conforme a variação do mercado”, complementou a nota. Para efeito de comparação, esses quatro aeroportos, eram responsáveis por mais 17 decolagens semanais, sendo cinco em Ourilândia do Norte; cinco em Redenção; quatro em Tucuruí; e três, em Monte Alegre.
A tendência é que o número de frequências diminua ainda mais a partir do próximo mês. A companhia aérea Azul divulgou recentemente um comunicado que encerrará as operações em Porto Trombetas (onde era a única que operava) e Itaituba. “Em razão do cenário econômico desafiador observado atualmente no Brasil, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras informa que deixará de operar em Porto Trombetas e Itaituba a partir de 31 de maio. Os clientes que adquiriram passagens para voos após esta data serão ressarcidos de forma integral”, diz o comunicado.
Ajustes
A restrição da malha aeroviária no Pará tende a dificultar ainda mais o deslocamento dentro dos limites estaduais. A TAM Linhas Aéreas informou à reportagem de O LIBERAL que segue o seu planejamento estratégico de enfrentar os desafios do cenário atual com a redução de 8% a 10% na sua oferta doméstica total de voos no mercado brasileiro. No Pará, essa redução já superou essa marca, com queda de 10,75%.
Atualmente, a companhia opera 75 frequências semanais de/para o Estado, ligando Belém diretamente aos destinos de Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro/Galeão, São Paulo/Guarulhos, Manaus, Macapá e Marabá, além de Brasília a Santarém e a Marabá. Em 2015, a companhia operava 84 frequências semanais para os mesmos destinos.
A companhia informou que continua realizando ajustes no Estado do Pará para adequar a sua malha aérea ao atual cenário brasileiro. Segundo a assessoria de imprensa da TAM, foi reduzido de 26 para 19 o número de frequências semanais entre a capital paraense e Brasília; e de sete para cinco de Brasília para Marabá. A empresa projeta aumentar de seis para sete o número de frequências semanais entre Belém e Rio de Janeiro/Galeão; de seis para sete de Belém para Macapá; e de cinco para seis de Brasília para Santarém. 
A empresa também vai alterar os horários, a partir de 1º de junho, dos voos diários (de segunda a sábado) de ida e volta de Santarém a Brasília. Atualmente no turno vespertino, o voo Brasília-Santarém partirá às 23h10, e pousará à 1h57; e a volta, Santarém – Brasília, terá decolagem às 3h21 e aterrissagem às 5h55 - todos horários locais. “Com esses ajustes, em junho deste ano, a empresa somará 78 frequências semanais de/para o Estado do Pará”, diz a companhia.
A GOL, que recentemente suspendeu os voos para a região do Xingu, informou que segue a revisão programada de redução de 15% a 18% nas decolagens neste ano. “As operações regulares em Altamira foram descontinuadas. Esta racionalidade de capacidade e otimização da malha visam ajustar a rede à atual demanda. A GOL reitera que poderá voltar a operar essa rota quando o cenário estiver novamente favorável”, comunicou a empresa.
“No Pará, a companhia disponibilizará a seus clientes voos diretos para dez aeroportos do Brasil, sendo os destinos atendidos: São Paulo (Guarulhos e Congonhas), Rio de Janeiro (Galeão), Manaus, Fortaleza, Brasília, São Luís, Confins, Macapá e Paramaribo (Suriname).”
A Azul Linhas Aéreas anunciou uma redução em sua capacidade operacional de cerca de 7% no total das rotas domésticas devido ao atual momento econômico do País. Sem informar o número de frequências no ano passado, a companhia disse que opera atualmente no Estado do Pará com 15 voos diários, em média, nos destinos Altamira, Belém e Santarém.
A empresa tem um voo internacional, Belém/Caiena. Desde 20 de março, foi disponibilizado também voo diário para o Recife. Com isso, o voo Belém/Fortaleza passa a ter conexão em Recife. Continua o voo Belém/Fortaleza com escalas em Imperatriz e São Luís. A Azul também passou a operar três voos semanais diários Belém/Manaus.
orm

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