sábado, 31 de março de 2018

Vereador Diego Mota diz que Itaituba precisa deixar de ser tão dependente de Santarém em saúde


Do Blog do Jota Parente - A sessão de hoje, que por pouco não foi iniciada e imediatamente encerrada porque não havia quorum, os vereadores que se dispuseram a falar, todos fizeram referências à morte de Cláudio Moura ocorrida ontem.
O primeiro foi Júnior Pires, que destacou o trabalho, o caráter e sua ligação com Igreja Assembleia de Deus, da qual era secretário de missões do templo no qual congregava. Depois, seguiram pela mesma linha, Júnior Pires, Davi Salomão, Daniel Martins, Wescley Tomaz, Manuel Dentista e Diego Mota. 
Foi Diego quem fez o discurso com maior riqueza de detalhes. 
A reportagem do blog conversou com ele a respeito desse momento difícil da perda de Moura, que teve grande repercussão em toda a comunidade itaitubense. 

Vereador Diego Mota - Uma coisa é a gente ser comunicado de que uma pessoa morreu, outra, totalmente diferente é você testemunhar, ver agonia, quase ver o último suspiro, acompanhando todos os momentos no hospital, desde que o colega deu entrada depois das 8 horas. 
Eu fui para lá acompanhar, pessoalmente. Quando chegamos lá, tentamos fazer todo tipo de contato com em Santarém mesmo, aqueles indevidos, que são os políticos, com as equipes médicas, com as autoridades políticas e, finalmente conseguimos resolver através do prefeito Nélio Aguiar, que estava em Brasília e resolveu pegar a causa para si. 

Ele disse que a gente podia mandar o Cláudio, pois ele resolveria por lá. 

Os contatos começaram por volta de 9 horas, mas, até ele seguir para o aeroporto já era por volta de uma hora da tarde. 

O que eu estou relatando aqui é uma realidade. Esse sistema de regulação que funciona em Santarém é seletivo, e por causa da demanda, muitas vezes é cruel. A gente comunicou aqui estávamos aqui com um paciente está morrendo, enquanto o pessoal de Santarém respondia: olha não vocês não podem mandar para cá enquanto não abrir uma vaga de leito, porque senão ele vai ficar aqui no corredor e ninguém vai atender. 
É desesperador você imaginar uma pessoa como Moura, que tinha todo o suporte da Imprensa, tinha apoio de nós políticos para resolver, que demorou todo esse tempo; agora, imagina o que sofre um cidadão comum. 

Esse sistema de regulação em Santarém é muito cruel, é muito seletivo e às vezes é insensível com a situação de uma pessoa que esteja morrendo e não pode esperar. No mínimo, ele teria que voar daqui muito mais cedo. 

No Hospital Municipal de Itaituba fizeram o que foi possível com os recursos que existem aqui, que são insuficientes para atender essas emergências. 

Eu faço uma pergunta: se tivesse funcionando esse Hospital Regional do Tapajós, como já era para estar funcionando há mais de um ano, segundo o que era o cronograma, será que talvez o nosso amigo não pudesse estar com vida? 

Talvez, muitas outras pessoas pudessem ser salvas. Por isso, eu estou cobrando melhorias na saúde, porque doença não espera” disse o vereador. 

Blog do Jota Parente - Você falou, também sobre a UPA… 

Vereador Diego Mota - É isso. Para você ter uma ideia, a informação que eu tenho é que já foi paga a segunda parcela para o Governo do Estado, que não consegue fazer uma licitação de R$ 375.000,00 da emenda do deputado Chapadinha. O que será que está faltando? Acho que é mais seriedade com a coisa pública. Falei, também do município que precisa investir mais em saúde, em equipamentos e em profissionais. 

Estão chegando alguns equipamentos para enfermaria, mas, enfim, nossa cidade é polo, porém, infelizmente, nós ainda estamos dependendo muito de Santarém, e a gente precisa mudar esse contexto. 

Blog do Jota Parente – Diego, uma coisa que chamou atenção foi quando você falou, na emoção pela perda do colega Cláudio Moura, foi que chega de os políticos usarem a saúde como mercadoria por troca de votos... 

Vereador Diego - Todos nós sabemos que certas obras, e vamos usar o Regional de Itaituba como referência, em ano eleitoral aumenta o número de trabalhadores no canteiro de obras para fazer o projeto andar, mas, não pode ser assim; a saúde não é uma mercadoria para trocar por votos. Então, as coisas precisam andar durante todo o processo, não apenas em ano eleitoral. 

O pessoal do governo diz que crítica é coisa de gente da oposição, que a gente está torcendo contra; nós estamos torcendo é para ele abrir logo, para acabar logo esse sofrimento do povo. 

O caso do Moura nos remete a tantos outros que vem acontecendo; pessoas humildes, pessoas de todas as classes que estão morrendo por conta do nosso sistema de saúde falido. 

E no cenário Nacional, o SUS é um sistema caótico e seletivo, mas, nós temos que cuidar da nossa casa, que é o nosso município. E eu repito que é muito ruim nós continuarmos dependendo muito de Santarém.

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